Literatura – O Quinhentismo e o Brasil

José de Anchieta escrevendo poemas na praia

José de Anchieta escrevendo poemas na praia.

 

Literatura – Quinhentismo – Sesi 426 – 1º Ano do Ensino Médio

Introdução explicativa: O período denominado Quinhentismo corresponde a todas as manifestações literárias ocorridas no Brasil durante o século XVI. Nessa época, não podemos falar ainda de uma literatura brasileira, mas sim de um literatura sobre o Brasil, que denota a comovisão, as ambições e as intenções do homem europeu.

A historia da literatura brasileira tem inicio em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada a D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras.

Este período inicial de nossa literatura é conhecido como Quinhentismo, porém tal denominação refere-se à cronologia (século XVI), não possuindo uma conotação estética. Pode ser usada também para o Classicismo, período literário marcado por uma mentalidade renascentista e cultivado na época em Portugal. No entanto, utiliza-se esse termo para denominar o primeiro período histórico da mesma. Faz-se necessário, entretanto, ressaltar que esse período constitui-se mais como uma literatura sobre o Brasil, produzida no Brasil, do que uma literatura efetivamente de autoria brasileira.

Nessa época, Portugal desenvolvia a crônica histórica e informativa, divido às Grandes Navegações, conquistas e descobertas ultramarinas. Predominam o desejo de expansão do cristianismo e o anseio de conquista e domínio. Podemos dividir a obra desse período entre as quais se enquadram na literatura informativa, dos quais fazem parte os textos sobre o Brasil, e os que integram a literatura jesuítica, resumindo os escritos dos jesuítas envolvidos com a catequese.

 

Quinhentismo

1) A história da literatura brasileira tem início em 1500, com a Carta de Pero Vaz de

início em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada a D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras.

Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada a D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras. Este período inicial de nossa literatura é conhecido por Quinhentismo, porém tal denominação refere-se à cronologia (século XVI), não possuindo uma conotação estética. Pode ser utilizada também para o Classicismo, período literário marcado por uma mentalidade renascentista cultivado na época em Portugal. No entanto, como nosso estudo centra-se na literatura brasileira, utilizaremos esse termo para denominar o primeiro período histórico da mesma. Faz-se necessário, entretanto, ressaltar que este período constitui-se mais como uma literatura sobre o Brasil, produzida no Brasil, do que uma literatura efetivamente de autoria brasileira.

 

2) Nesta época, Portugal desenvolvia a crônica histórica e informativa, devido às grandes navegações, conquistas e descobertas ultramarinas. Predominam o desejo de expansão do cristianismo e o anseio de conquista e domínio. Podemos dividir as obras deste período entre as que se enquadram na literatura informativa, da qual fazem parte os textos sobre o Brasil, transmitindo ao europeu  informações da terra e da gente que aqui vivia, e as que integram a literatura jesuítica, reunindo os escritos dos jesuí tas envolvidos com a catequese.

 

3)Literatura jesuítica, reunindo os escritos dos jesuítas envolvidos com a catequese. Literatura

Informativa: Os primeiros textos em terras brasileiras de que se tem notícia são “informações” de viajantes e missionários europeus, descrevendo a natureza e os primeiros habitantes de nossa terra: os índios. Entretanto, estes escritos não podem ser classificados como textos literários, pois são crônicas históricas, refletindo a visão de mundo e a linguagem dos colonizadores.

 

4) Dentre os textos de origem portuguesa escritos nesta época destacam-se: a Carta de Pero Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel; o Diário de Navegação de Pero Lopes e Sousa, escrivão de Martim Afonso de Sousa; o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil de Pero Magalhães Gândavo; a Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e

da Gente do Brasil do jesuíta Fernão Cardim; o Tratado Descritivo do Brasil de Gabriel Soares de Souza; os Diálogos Gabriel Soares de Souza; os Diálogos das Grandezas do Brasil de Ambrósio Fernandes Brandão; as Cartas dos Missionários Jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de Fernandes Brandão; as Cartas dos Missionários Jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de catequese; o Diálogo Fernandes Brandão; as Cartas dos Missionários Jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de catequese; o Diálogo sobre a Conversão dos Gentios de Pe. Manuel da Nóbrega e a História do Brasil de Frei Vicente de Salvador.

5) Sobre o Autor: Pero Vaz de Caminha

 

Escrivão da armada de Cabral, Pero Vaz de Caminha nasceu por volta de 1437, provavelmente na cidade do Porto; teve fim trágico na Índia (Calecute), ainda no ano de 1500, assassinado pelos mouros. Sua “Carta a El-Rei Dom Manuel sobre o achamento do Brasil”, além do inestimável valor histórico, é um trabalho de bom nível literário.

6) CARTA DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Escrivão da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha redigiu esta carta ao rei D. Manuel para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1º de maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota; é o primeiro documento escrito da nossa história.

“Senhor: Posto que o capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães, escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que, para o bem contar e falar, o saiba fazer pior que todos. Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para alindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado.

Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo: A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi, segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e as nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã-Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito Pero Escolar, piloto. Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse.

Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais. E assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome, o Monte Pascoal, e à terra, a Terra da Vera Cruz. Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e, ao sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças — ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, quatorze, treze, doze, dez e nove braças, até a meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos. Dali avistamos homens que andavam pala praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.” (Excerto) Fonte: Fonte: www.casadostradutores.com.br

7) Os Jesuítas e o Brasil

 

 

 

 

Os jesuítas eram padres da Igreja Católica que faziam parte da Companhia de Jesus. Esta ordem religiosa foi fundada em 1534 por Inácio de Loiola. A Companhia de Jesus foi criada logo após a Reforma Protestante (século XVI), como uma forma de barrar o avanço do protestantismo no mundo. Portanto, esta ordem religiosa foi criada no contexto da Contra-Reforma Católica. Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil no ano de 1549, com a expedição de Tomé de Souza.

Objetivos dos jesuítas:

– Levar o catolicismo para as regiões recém descobertas, no século XVI, principalmente à América;

- Catequizar os índios americanos, transmitindo-lhes as línguas portuguesa e espanhola, os costumes europeus e a religião católica;

- Difundir o catolicismo na Índia, China e África, evitando o avanço do protestantismo nestas regiões;

- Construir e desenvolver escolas católicas em diversas regiões do mundo.

Podemos destacar os seguintes jesuítas que vieram ao Brasil no século XVI: Padre Manoel da Nóbrega, Padre José de Anchieta e Padre Antônio Vieira. Em 1760, alegando conspiração contra o reino português, o marquês de Pombal expulsou os jesuítas do Brasil, confiscando os bens da ordem.

A ordem dos jesuítas foi extinta pelo papa Clemente XIV, no ano de 1773. Somente no ano de 1814 que ela voltou a ser aceita pela Igreja Católica, graças ao papa Pio VII.

 
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/classic-literature/2200411-caracter%C3%ADsticas-quinhentismo/#ixzz29sPKAD1i

8) José de Anchieta

 

Quem foi

Padre José de Anchieta foi um padre jesuíta espanhol que atuou na catequização de índios e evangelização no Brasil durante a segunda metade do século XVI. Foi também teatrólogo, historiador e poeta.

Nascimento

Padre José de Anchieta nasceu na cidade de San Cristobal de La Laguna (Espanha) em 19 de março de 1534.

Morte

Padre José de Anchieta morreu na cidade de Iriritiba (atual Anchieta no estado do Espírito Santo) em 9 de junho de 1597.

Beatificação

José de Anchieta foi beatificado pelo papa João Paulo II em 22 de junho de 1980.

Principais realizações

Catequizou índios brasileiros no século XVI, na região da atual cidade de São Paulo.
– Foi um dos fundadores da cidade de São Paulo.
– Participou da fundação do Colégio de São Paulo.
– Defendeu os índios brasileiros das tentativas de escravização por parte dos colonizadores portugueses.
– Lutou ao lado dos portugueses contra os franceses estabelecidos na França Antártica.
– Dirigiu o Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro, entre os anos de 1570 e 1573.
– Foi nomeado, em 1577, Provincial da Companhia de Jesus no Brasil.

Principais obras

“Poema à Virgem”
– “Os feitos de Mem de Sá”
– “Arte e Gramática da língua mais usada na costa do Brasil”
– “A Cartilha dos Nativos” (Gramática tupi-guarani)
– “Carta da Companhia”

9) Poema à Virgem, de José de Anchieta

 

Poema a Virgem – Padre José de Anchieta
Escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba.

Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?
Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?
Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,
Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,
Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?
Em qualquer parte que olha, vê JESUS,
Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,
Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.
Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,
Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço. (Excerto)

Mens mea, quid tanto torpes absorpta sopore?
Quid stertis somno desidiosa gravi?
Nec te cura movet lacrimabilis ulIa parentis,
Funera quæ nati flet truculenta sui?

Viscera cui duro tabescunt ægra dolore,
Vulnera dum præsens, quæ tulit ilIe, videt.
En, quocunque oculos converteris, omnia lesu
Occurrent oculis sanguine plena tuis.

Respice ut, æterni prostrato ante ora Parentis,
Sanguineus toto corpore sudor abit.
Respice ut immanis captum quasi turba latronem
Proterit, et laqueis colla manusque ligat. (Excerto em latim)

 

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