Alguns segredos dos gêneros líricos

Queridos alunos, não se pode negar a riqueza veiculada através da força e beleza de versos no interior de um texto poético. Hoje, prosa e poesia coexistem, apliando a possibilidade de percebermos como o universo nos é gereneroso, nos permitindo transformar símbolos em conhecimento, realidade em arte, enfim emoções em registros linguísticos.

A seguir, de forma simplificada e não exaustiva, procuraremos explorar alguns dos elementos que compõem a estrutura dos textos do gênero lírico em sentido lato. (Não se trata de um trabalho profundo, ficando pois aos sabores  de eventuais superficialidades.)

          Sobre o Poema:O poema é, assim, um gênero textual que se constrói não apenas com ideias e sentimentos, mas também por meio do emprego do verso e seus recursos musicais – a sonoridade e o ritmo das palavras -, função poética da linguagem e de palavras com sentido conotativo.” Poema parece nos sugerir uma combinação articulada de palavras, previamente selecionadas (não aos moldes dos textos Dadaístas – vide Vanguardas Européias), capazes de nos sugerir cores, odores, sons, imagens, permitindo inúmeras leituras e interpretações da realidade. (Donde concluímos, serem um “plus” as palavras do grande artista do Cubismo espanhol, Pablo Picasso que de forma geral se referia às Artes e nós de forma específica aos poemas: “Arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade.”). (Prof. Délio a partir de leitura outras de obras diversificadas.)

   Sobre Poesia:

A Poesia é também um gênero textual de difícil definição, embora alguns insistam em dizer que tal tarefa não seja tão árdua assim, dessa forma, procuramos ficar na superfície de sua real classificação, buscando subsídios nas suas manifestações. A poesia está em toda  parte, nas canções de ninar, nas cantigas de roda, nos trava-línguas, nas parlendas, nos provérbios, nas quadrinhas populares, nas propagandas, nas letras de música, nas cartinhas para os namorados, na bíblia, num jogo figurativo ou de efeito visual, enfim a poesia é uma “expressão do estado de espírito do autor, que converge com os sentimentos do leitor, variando de acordo com alguns aspectos, como: época, movimento literário, país, contexto histórico, contexto de vida, contexto econômico, gosto estético, disponibilidade artística de ambos, dentre outros. (Prof. Délio  a partir de leitura outras de obras diversificadas.)  

     (Vinicíus de Moraes)

Se das nuvens vertem as gotículas de chuva que fazem verdejar nosso jardim, Por que o espanto, se dos nossos versos verteremTão lindos versos de poema ou poesia assim.   (Prof. Délio)

 

Um pouco de poehistória:

    O Gênero Lírico: A palavra lírica, se origina de lira, instrumento musical muito utilizado pelos gregos a partir do século VII a.C. Assim, chamava-se lírica a canção que se entoava ao som da lira. A partir do século XV, os poemas de desvincularam da música e passaram a ser lidos ou declamados.

    Decifrando a poética aristotélica 

Entre os escritos e obras, A Poética de Aristóteles é uma obra esotérica e terá por base a fundamentação conceitual de imitação (mimesis) e de catarse (katharsis, purificação, purgação). Mimesis, no sentido aristotélico, é ativa e criativa, determina o modo de ser do poema trágico e estará sempre ligada à idéia de arte (tecgné) e de natureza (physis), defendendo sempre que a arte imita a natureza. Já a catarse para Aristóteles é uma força emotiva causada pela mimesis levando a um efeito suscitado pela tragédia no público.

No primeiro capítulo da obra aristotélica, são abordados alguns aspectos da poesia e da imitação segundo os meios, o objeto e o modo de imitação. Nesse sentido, apresenta-se como propósito da obra a abordagem da produção poética em si mesma e seus gêneros, da função de cada um desses gêneros e a maneira pela qual a fábula deve ser construída com vistas à conquista do belo poético. A epopeia, a poesia trágica, a comédia, a poesia ditirâmbica, a maior parte da aulética e da citarística enquadram-se nas artes da imitação, havendo entre elas, contudo, a diferença de que seus meios não são os mesmos, tampouco os objetos que imitam e a maneira pela qual se dá essa imitação. Nas artes citadas, a imitação ocorre por meio do ritmo, da linguagem e da harmonia, empregados em conjunto ou separadamente. A epopeia utiliza a palavra simples e nua dos versos.

No segundo capítulo encontra-se uma abordagem acerca das formas pelas quais se utiliza a imitação. Assim, afirma-se que a imitação aplica-se aos atos das personagens, as quais podem unicamente ser boas ou ruins, dependendo da prática do vício ou da virtude. Nesse sentido, as personagens são representadas como melhores ou piores.

No terceiro capítulo é tratado do refinamento da classificação focalizada no capítulo anterior, afirmando ser possível imitar os mesmo objetos nas mesmas situações e numa mesma narrativa, seja pela introdução de um terceiro personagem, seja insinuando-se a própria pessoa sem a intervenção de outro personagem. Uma outra forma de seria contar com a ajuda de personagens que agem por si só.

Virgílio

Públio Virgílio Marão (em latim Publius Vergilius Maro), também conhecido como Vergílio ou Virgílio (Andes, 15 de outubro de 70 a.C – Brindisi, 21 de Setembro de 19 a.C.), foi um poeta romano clássico, mais conhecido por três obras principais, as Éclogas (ou Bucólicas), as Geórgicas e Eneida – apesar de vários poemas menores também serem atribuídos a ele.

Filho de um agricultor, Virgílio chegou a ser considerado como um dos maiores poetas de Roma. Sua obra mais conhecida, Eneida, pode ser considerada um épico de Roma e tem sido extremamente popular a partir da sua publicação até os dias atuais. Foi considerado ainda em vida como o grande poeta romano e expoente da literatura latina. Seu trabalho foi uma vigorosa expressão das tradições de uma nação que urgia pela afirmação histórica, saída de um período turbulento de cerca de dez anos, durante os quais as revoluções prevaleceram.

 

 

No Trovadorismo: (Primeira Época Medieval: Cantigas de Amor/Amigo/Escárnio e Maldizer)

“No mundo non me sei parelha,

Mentre me for’ comomo me vai,

Ca ja moiro por vós e ai

Mia senhor branca e vermelha,

Queredes que vos retraia

Quando vos eu vi en saia!”(…)     (Canção da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós) *Excerto.

Cantiga de amigo de Martim Codax (paralelística)

Paráfrase 

Ondas do mar de Vigo
Se vires meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!
Ondas do mar revolto,
Se vires o meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!
Se vires meu namorado,
Aquele por quem eu suspiro!
Por Deus, (digam) se virá cedo!
Se vires meu namorado
Por quem tenho grande temor!
Por Deus, (digam) se virá cedo! 

 

Segunda Época Medieval – (século XV ao XVI: A Poesia Palaciana)

Cantiga, partindo-se

Senhora, partem tã tristes
meu olhos por vós, meu bé,
que nuca tam tristes vistes,
outros nenhüs por ninguém!

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partyda,
tam canssados, tã chorosos,
da morte mays desejosos
cem myl vezes que da vida!
Partem tam tristes os tristes,
tam fora desperar bem,

que nuca tam trystes vistes
outros nenhüs por ninguém! (926)
(João Rodrigues de Castello-Branco —
no Cancioneiro Geral, 107 v., apud
Mendes dos Remédios).       (Cantiga: “partindo-se”, As melhores poesias do cancioneiro de Resende)

Classicismo

Camões lírico – A lírica clássica – A medida nova

 

 

As formas e os temas da lírica clássica

Teve influência da escola renascentista italiana em que Camões compõe a forma mais perfeita de sua lírica. Com os decassílabos e com as formas fixas do Classicismo que ele aprende o alto equilíbrio entre a disciplina, o virtuosismo formal e a reflexão sobre o sentido do amor e da vida. Tudo o que Camões pensa, ele diz, é um poeta-filósofo, mostra o que sente principalmente em relação ao que havia sofrido por causa de suas desavenças amorosas.

O Soneto

Contém 14 versos que são dispostos em 4 estrofes; 2 quartetos e 2 tercetos. Existe outro tipo de soneto que é o petrarquiano que contém rimas no sistema ABBA, ABBA, nos quartetos (rimas interpoladas ou opostas), e CDC, DCD nos tercetos (rimas intercaladas ou alternadas), mas o mais comum nos tercetos são três rimas alternadas no esquema CDE, CDE, lembrando que esse soneto é composto por decassílabos, onde o último verso, deve fechar a composição de modo que sintetize o desenvolvimento do soneto, onde esse verso é chamado de chave de ouro. 

Texto I

Quinhentismo (No Brasil: A literatura informativa e literatura jesuítica)

1534-1597

José de Anchieta, o mais importante dos jesuítas que estiveram no Brasil, nasceu na ilha de Tenerife, uma das ilhas Canárias, em 19 de março de 1534. Após estudar em Coimbra, Portugal, ingressa na Companhia de Jesus em 1551.

 
A Santa Inês

“Cordeirinha linda,

Como folga o povo

Porque vossa vinda

Lhe dá lume novo!

Cordeirinha santa,

De lesu querida,

Vossa santa vinda

O diabo espanta. (Excerto – Pe. Anchieta)

(*Segue compilação, posteriormente.)

Estrutura Poética

I – Verso

    Verso é cada linha de um poema ou poesia.

II – Estrofe

 

    Estrofe é cada pedacinho isolado de um poema ou poesia. A estrofe também pode ser chamada de estância ou estança. A estrofe tem profunda importância na no gênero lírico, tal qual a importância que o parágrafo execerce num texto em prosa. Tanto um como o outro separam as partes de um todo (discurso ou capítulo), organizando ambos os textos, conferindo-lhes sentido completo.

III – O resultado da organização dos versos em estrofes

01)  A estrofe com apenas um verso chama-se monístico;

02)  A estrofe com dois versos denomina-se dístico ou parelha;

03)  A estrofe com três versos chama-se terceto;

04)  A estrofe com quatro versos denomina-se quarteto ou quadra:

       Trova – é um dito, cantiga ou canção popular, que contém um pensamento completo, uma máxima ou lição de vida. Principais espécies de de Trovas: amorosa, filosófica, política, moralista, satírica, sociolígica, didática e ambientalista. São sinônimos de trova: quadra e quarteto. Obs.: Em termos gerais, designa Trova a Canção ou Cantiga popular curta , com mais de quatro versos;

05)  Com cinco versos temos: quinteto ou quintilha;

06)  Com seis versos temos: a sextilha;

07)  A estrofe de sete versos denomina-se: setena , septena ou setilha;

08)  Com oito versos: oitava;

09)  Com nove versos chama-se: nona;

10)  Com dez versos: décima. *Além disso, não há designação específica.

IV – Estribilho ou coro

 

É o verso ou estrofe que se repete no meio de certas poesias, a intervalos regulares, ou ainda no final de algumas estrofes. Ocorre especilamente em gêneros como hinos, cânticos e salmos cantados. Lembrando que estribilho é o mesmo que refrão.

V – Métrica Poética

Na poesia Tradicional ou Clássica o poeta deve observar regras predeterminadas, assim os versos serão metrificados, isto é, as sílabas serão numeradas (às vezes) e contadas sempre, sendo que algumas delas devem ser fortes (tônicas ou agudas), formando o que se denominam pausas. As pausas consistem na repetição a intervalos regulares, de acentos tônicos ou ditos predominantes. O que assegura ritmo e musicalidade à poesia. As pausas são sinônimos de cadências ou cesuras.

Obs.: As sílabas poéticas não correspondem às gramaticais ( assunto posteriormente tratado.)

VI – Versos Monossílabos

 

São versos que contêm uma só sílaba, ou seja, com apenas uma pausa métrica. Ex.:

O                    nem

Pu/lo               a

Que                on/ça 

O                     a

Ga/to             pren

Deu                deu.

 

VII – Versos Dissílabos

 

São versos que contêm duas silabas métricas, com pausa na 2a. sílaba. Ex.:

So/nhei

Con/ti/go,

Meu /bom

A/mi/go.

VIII – Versos Trissílabos

 

São versos que  contêm três sílabas medidas, com pausa na 3a. sílaba. Ex.:

Sem es/pe/ra,                        para a /te/rra

Com emo/ção                      que se /cha/ma

Leva/rei                                 co/ra/ção

Meu a/mor

 

Obs.: Há necessidade de explicação, sobre o fenômeno da elisão, ditongação e outros.

 IX – Versos Tetrassílabos 

São versos com quatro sílabas métricas, com pausas nas 2as. e 4as. sílabas, ou nas 1a e 4a sílabas, ou ainda apenas na 4a. sílaba. Ex.:

São versos com quatro sílabas métricas, com pausas nas 2a e 4a sílabas, ou nas 1a e 4a sílabas,ou ainda apenas na 4 sílaba. Ex.:

No /dia/ a /dia/          (2a e 4a)

/Bus/co a ver/da/de  (1a e 4a)

Natural/men/te           (4a)

X – Pentassílabos

São versos com cinco sílabas, com pausas opcionais nas 2a e 5a sílabas, ou nas 1a, 3a e 5a ou nas 3a e 5a, ou ainda nas 1a e 5a sílabas poéticas. Ex.:

Sa/be/mos a/in/da     (2a e 5a)

Como /de/ve /ser       (1a, 3a e 5a)

Todo esse /afã             ( 3a e 5a)

Que/ nos rea/ni/ma   ( 1a e 5a) 

XIHexassílabos, ou Heroicos Quebrados

Pelos mares nunca dantes navegados, havia histórias de homens muito além de bem letrados!

(Continua a explicação.)

3 thoughts on “Alguns segredos dos gêneros líricos

  1. 1-Que tipo de novela Júliio Dinis foi criador ?
    R:Novelas Camponesinas.
    2-Cite três obras de Júlio Dinis
    R:As pupilas do Senhor;Uma família inglesa; A Morgadinha dos Canaviais;
    3-O que é poema?
    R: É um gênero textual que se constrói não apenas com ideias e sentimento mas tanbém por meio de emprego de verso e seus recursos musícais, função poética da linguagem e de oalavras com sentido conotativo.
    4-Onde encontramos poesia?
    R: A poesia está em toda parte, nas canções de ninar, nas cantigas de roda, nos trava-línguas, nas parlendas, nos provérbios, nas quadrinhas populares, nas propagandas, nas letras de música, nas cartinhas para os namorados, na bíblia, num jogo figurativo ou de efeito visual, etc
    5-Na Segunda Época Medieval (séculos XV ao XVI) usava-se que tipo de poesia?
    R:A Poesia Palaciana.

  2. 1) Júlio Dinis criou um novo gênero no romantismo, qual seria? R: Novelas Campesinas. 2)Discorra sobre Júlio Dinis:
    R: Foi descendente de ingleses, cursou medicina, chegando a lecionar a Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Sua formação educacional baseou-se no aspecto liberal-burguês, cultivado pelos britânicos. Doente, com tuberculose, afasta-se do magistério. 3)Cite três obras de Julio Dinis: R: “As pupilas do senhor Reitor”, “Uma família inglesa”, e ” Serões de Província”. 4)Escreva o texto de forma correta: ” Denis permanece no passionalismo ultrarromântico, utilizando em seus romances os conflitos vivenciados por suas personagens, demonstrando a influência religiosa na resolução dos conflitos”. R: ” Dinis se afasta do passionalismo ultrarromântico, utilizando em suas tramas os conflitos vivenciados por suas personagens de forma analítica, demonstrando a influência e poder da base socioeconômica na resolução dos conflitos”. 5)Como era a visão de Júlio Dinis perante ao “pobre”? R: O pobre poderia aproximar-se do rico, dependendo apenas de sua dedicação e esforço.

  3. Thainar Caroline Santos, Nr. 25, 6.º Ano A – SESI-426 Taboão.

    Pesquisa sobre os substantivos Coletivos:

    1) Lobos = Alcatéia
    2) Bois = Manada
    3) Borboletas = Panapaná
    4) Camelos = Cáfila
    5) Elefantes = Manada
    6) Poetas = Plêiade
    7) Navios = Frota
    8) Aviões = Esquadrilha
    9) Folha de Papel = Resma
    10) Porcos = Vara

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