Caixa de ferramentas da língua portuguesa – Prof. Délio Pereira Lopes

Caixa de ferramentas da língua portuguesa – Para alunos do Ensino fundamental e Médio

Jade & Arthur Jorge Griffo (Primos)                                                                                                                                                                                                                                 O que    O que temos aqui pode ser uma caixa de ferramentas para alguns, principalmente para aquelas emergências que surgem repentinamente e nos deixam quase loucos. Bom, principalmente quando se trata de erros de brasileiros, pois português erra bem menos , pelo menos no que se refere ao uso da língua, calma isto foi apenas uma piada!? Faremos aqui algumas pequenas observações que nos ajudarão a escrever um pouco melhor, afinal não buscamos a perfeição, nem por isso vamos nos distanciar tanto dela.     Prof. Délio Pereira Lopes

1.Paraquedas. O piloto saltou de paraquedas.

2.Voo. A falha no motor interrompeu o voo. (Decreto n. 6583, de 29 de setembro de 2008)

3.Paralisar. Os funcionários comunicaram ao governador, que iriam paralisar suas atividades.

4.Atrasar. O trem não poderia atrasar naquele dia.

5.Despercebido. Entrou na sala de aula despercebido. (Veja “desapercebido” = desguarnecido).

As naus estavam desapercebidas de alimentos.

6.Meio. Ela está meio cansada. (meio = um pouco) Evite meia cansada. (forma errada.)

7.Meia. O trabalhador voltou meio dia e meia do almoço. (meia = meia hora)

8.História. Antigamente se contava a estória do Chapeuzinho Vermelho, hoje história.

9. Sempre. A vida inteira eu tive conta neste banco. (Sempre tive conta neste banco.)

10.Voltar.. O homem voltou e pediu desculpas. (voltar para trás = pleonasmo vicioso)

11.Mas.Pensou em desistir, mas viu que estava perto. (mais = acréscimo)

12.Vivam ou viva. Vivam os noivos! Ou viva a noiva! (a expressão varia, seja educado)

13. Bêbedo. Estava tão bêbedo, que bateu o carro. (Bêbado é variação de bêbedo.)

14.Bem-educado / Bem-humorado. Era bem-educada e sempre parecia bem-humorada. (como prefixo une-se à palavra que lhe segue com hífen, se essa palavra começar por vogal ou “h”).

15.Mal-educado / Mal-humorado, mas, veja: malcriado, malvisto, malfalante, malditoso, etc. Aquele homem ficou malvisto na vizinhança. (mal + consoante).

16.Cacto e Cato/ facto e fato / sector e setor / concepção e conceção/ recepção e receção, etc. Feriu-se com o espinho do cato. (exemplos de grafias duplas aceitas pelo Novo Acordo Ortográfico *Decreto 6583, de 29 de setembro de 2008).

17.Acadêmico  e Académico/ cômodo e cómodo/ efémero e efêmero/ gênio e génio / fenômeno e fenómeno/ tônico e tónico, etc. Foi respeitado no meio académico. (Há divergências, no que respeita às proparoxítonas, no casos das vogais tônicas e e o, seguidas das consoantes nasais  m e n.

18.Prazo. Houve uma grande venda de veículos a prazo. (Não ocorre o fenômeno da crase antes de palavras masculinas.)

19.Às dez. Chegou às dez, como sempre. (Ocorre o fenômeno da crase sempre em frase indicativas de horas.

20.Namorar. Ela namora um oficial do exército. (O verbo “namorar” tem regência direta. Não se admite “namorar com”.)

21.Haplopogia. É uma simplificação de palavras, ou seja,  redução de um vocábulo. Exemplos: a) bondoso > bondoso; b) caridoso > caridadoso; c) saudoso > saudadoso, etc.

22.Haja vista. O verbo desta expressão pode ficar invariável ( não se flexionar, que é o mais usual), ou concordar com o substantivo que segue a palavra “vista”. Ex.: A situação é grave haja (ou hajam) vista os incidentes de sábado.

23.Hábitat. (Do latim ‘habitat’: mora, habita) Ex.: Os animais devem viver em seu hábitat. (obs.; Redundância o uso de “hábitat natural.)

24.Há muito (tempo) Nesta acepção ‘há’, do verbo haver, equivale ao verbo fazer (faz), assim não varia quando se refere a tempo decorrido. Exs.: a) Há muito que ele deixou de beber.; b) Há (faz) muito tempo que estamos sem água.

25.Gastado/gasto (verbos no particípio) Gastado, usa-se com os auxiliares ter e haver (na a voz ativa). Ex.: Ele tinha ou havia gastado muito dinheiro no bingo. Gasto, com o verbo auxiliar ser (na voz passiva) Ex.: foram gastas altas quantias na compra de equipamentos.

26.Gente. O uso da palavra refere-se ao falante (eu ou nós), na comunicação coloquial; ainda recomenda-se a concordância no feminino, mesmo que o sujeito seja masculino. Ex.: A gente deve estar prevenida, disse o diretor. (Atenção à grafia, não confundir com agente, que um cargo profissional: agente da polícia civil, agente de seguros, etc.

27.Ampersand. Palavra inglesa que designa o sinal gráfico &, que representa a conjunção “e”, nas razões comerciais. Ex.: Alves & Companhia, Dobra & Dinho, etc.

28.Braquiologia (Braqui = curto; logos= palavra ia= sufixo) *1.Frase reduzida; expressão condensada, entretanto sem comprometer a compreensão de sentido. Exs.: a) Pedi um filé com fritas. (= com batatas fritas); b) Gente entrava e saía da sala. (=gente saía da sala). *2. Ocorre também na redução de palavras. Exs.: a) Moto, por motocicleta; b) Cine, por cinema; c) Pneu, por pneumático; d) Foto, por fotografia, etc. *3 Também faz-se presente nas siglas. Exs.:a) ONU (Organização das Nações Unidas); b) CPF (Cadastro de Pessoas Físicas); etc. convém lembrar que o fenômeno da braquiologia, estabelece analogia com duas figuras de linguagem: “elipse” e “zeugma”.

29.À toa e À-toa. Anteriormente às novas orientações determinadas pelo Novo Acordo Ortográfico (assinado em Lisboa na data de 16 de dezembro de 1990, sendo aqui, no Brasil, promulgado pelo Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008) essas locuções eram usadas de formas distintas, entanto, com o advento do mencionado Acordo, passamos a ter, com exclusivismo, a expressão à toa*, sem hífen e válida para as duas possibilidades morfológicas (locução adjetiva e locução adverbial). Assim, O homem, tachado de “à toa” (que não tem valor, que não presta), foi visto andando “à toa” (sem rumo, destino ) pelas ruas.

30.Querer. Este verbo e seus derivados, no pretérito perfeito, se escrevem com “s”. Exs.: Eu quis; Tu quiseste; Ele (a) quis; Nós quisemos; Vós quisestes; Eles (as) quiseram. Ex.: Ele não a quis por esposa.

31.Quite. Varia em número de acordo com o sujeito (singular ou plural). Exs.: a) Estou quite com a Receita Federal. b) Não estamos quites com o gerente do banco.

32.Quiçá. (Do castelhano ‘quizá’, redução do antigo ‘quiçabe’ = quem sabe) Adv. Talvez, quem sabe. Ex.: “Pensei que se referia a seu amor por Ester, que se acabava –  quiçá nunca existira.” (Ana Miranda, A última quimera, p.199).

33.Ragia. Sufixo grego que denota a ideia de ‘derramamento’, ‘fluxo’. Exs.; a) Hemorragia; b) Linforragia; c)Verborragia.

34.Homo. (Do grego homós, igual) Elemento de composição de palavras. Exs.: a) Homossexual; b) Homófono; c) Homogêneo; d) Homógrafo; etc.

35.Alguns adjetivos no grau superlativo absoluto sintético: a) Horrível > horribilíssimo; b) Humilde > humílimo (forma erudita) humildíssimo e humilíssimo (formas populares); c) Antigo > antiquíssimo ou antiguíssimo; d) Magro > macérrimo, magérrimo e magríssimo ; etc.

36.Laser. (Sigla de Light Amplification by stimulated emission of radiation = Ampliação da luz pela emissão estimulada de radiação), nunca confundir com a grafia lazer (descanso, divertimento, entretenimento).

37.Flecha. (Do fr. Flèche).Haste de madeira ou metálica, de extremidade pontiaguda, que se arremessa com o arco ou besta.

38.Abecedense. Adj. De, ou pertencente ou relativo à região do ABCD;

39.Abitar/Habitar.Abitar(Marinha): Prender a amarra do navio. Habitar: Morar, residir.

40.Alisar/Alizar. Alisar(De a-liso+ar): Tornar liso. Ex.: Alisar o cabelo. Alizar: Peça de madeira ou outro material que reveste portas e janelas. Ex.: Mandou encomendar um alizar de de cedro e outro de canela.

41.Nomes de algumas tribos indígenas brasileiras: (É preciso ter memória e tradição.) a) Ababá. Tribo indígena do grupo tupi-guarani, que habitava as cabeceiras do rio Corumbiára (MT); b) Abacaxi. Tribo indígena que habitava as margens do rio de mesmo nome (AM); c) Abaná. Tribo indígena que habita as margens do rio Japurá (AM); d) Abatirá. Tribo indígena que habitava a antiga Capitania de Porto Seguro; e) Acarapi. Tribo indígena que habita as imediações do Rio Branco (RR).

42.Champanha.(Do fr. Champagne) S.m. Vinho espumante branco ou rosado, fabricado na região de Champagne (França), ou de igual tipo, mas de outra procedência; tb. Champagne.

43.Apostila/Apostilha/ Postila.

44.Abdome/Abdômen. (Pl. Abdomes, abdomens ou abdômenes, sendo a última forma pouco usada no Brasil.

45.Apóstrofe/Apóstrofo. Apóstrofe. Figura de linguagem na qual o orador ou escritor, em geral (e não sempre) faz uma interrupção, dirigindo-se a uma pessoa ou coisa real ou fictícia. Ex.: “Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?” (Vozes d’África, de Castro Alves). Apóstrofo.; (Gramática): Sinal gráfico em forma de vírgula suspensa (‘),  para indicar supressão de letra(s); viracento. Ex.: Vozes d’ África (Vozes da África) é uma obra-prima de Castro Alves.

46.Passatempo.(De passa+tempo).: divertimento, diversão, entretenimento.

47.Cadê/Quedê/Quede?. São variações populares da expressão “que é de? (ou que é feito de?).

48.Cãibra/Câimbra (As duas formas são corretas.).

49.Cal. S.f. Portanto, ex.: A cal é útil em pinturas também.

50.Rã/Sapo. : S.f. Epiceno. Anfíbio anuro, da família dos ranídeos (Rana Palmipes). Sapo (de origem incerta, talvez pré-romana.) Há cerca de nove espécies, todas do gênero ‘Bufo Laur’. Sapa, fêmea do sapo. (in A.B.F.H., pág. 1270).

Prof. Délio -  Sesi 2013 - Projeto Universo cultural e TecnológicoProf. Délio, em 2013, no Projeto Universo Cultural e Tecnológico do Centro Educacional – SESI 426 – Taboão – Diadema

51.Plural com metafonia. Existem substantivos que, se empregados no plural, sofrem uma alteração na pronúncia do “ô” (fechado) da sílaba tônica, que passa a ser pronunciado “ó” (aberto). Esse fato, denominado Metafonia (= mudança de som), ocorre, por exemplo, com os seguintes substantivos. Exemplos:

Esforço (ô) —————— esforços (ó)                 Corpo (ô) ——————–  corpos (ó)

Olho           ——————- olhos                           Poço       ——————–   poços

Aeroporto   ——————- aeroportos                  Osso       ——————–    ossos

Pronto-Socorro ————– pronto-socorros          Forno     ——————–     fornos

Caroço       ——————-  caroços                       Porco     ——————–     porcos

52. Substantivos – Formação de palavras: muitos substantivos,  terminados em “ão” admitem mais de uma forma no plural. Alguns deles:

Alazão ———- alazões e alazães                  Guardião ———- guardiães e guardiões

Verão  ———- verões e verãos                      Corrimão ———- corrimãos e corrimões

Anão  ———-  anãos e anões                        Charlatão ——— charlatães e charlatões

Cirurgião ——  cirurgiães e cirurgiões            Vulcão ————-  vulcãos e vulcões (* tb. vulcães)

Ancião —– anciãos, anciães e anciões          Vilão ————–   vilães, vilãos e vilões

Aldeão —- aldeães, aldeãos e aldeões           Zangão———–   zangãos e zangões

53. Gênero de alguns substantivos. Há substantivos que podem gerar dúvidas quanto ao seu gênero. É conveniente, por isso, conhecer alguns deles:

São masculinos                              São femininos

O alvará   ————————-           A alface

O dó (compaixão) ————–           A omoplata

O lança-perfume —————            A sentinela (vigia)

O grama (peso)—————-              A cal

O champanha    —————              A dinamite

O gengibre  ———————             A apendicite

O formicida  ——————–              A libido (instinto sexual)

Observação: a personagem ou o personagem

Prof. Délio e aluna Gabriela em atividade na Biblioteca do SESI 426 - diadema.

Prof. Délio orientando a aluna Gabriela Aparecida em atividade de produção de gênero textual, na biblioteca do Centro Educacional – SESI 426 – Taboão em Diadema.

54.Nosso idioma tem palavras de uma sílaba (é, mês – Monossílabas), bem como de quatro sílabas ou mais (Polissílabas), que é o caso de PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, nome de uma doença provocada pela aspiração de cinzas de vulcão.

55. Dígrafos. (di= duas; grafos = letras) é o conjunto de dois sinais gráficos (duas letras) que representa um único fonema.

Temos dígrafos separáveis: SS, RR, SC, SÇ e XC            (05) tipos

Exemplos: a-mas-sa-do;  cor-rei-o; pis-ci-na; cres-ça; ex-ce-ção

temos dígrafos inseparáveis: LH, NH, CH, QU e GU            (05) tipos

Exemplos: jo-a-lhei-ro;  quei-ji-nho;  em-chen-te;  psi-quia-tra;  guer-re-ar

56. Depois de ditongo, sempre utilize “S”. Veja:

coiSa    pouSada   maiSena  pauSa   plauSível   faiSão    auSência    mauSoléu  ouSado   lousa, etc.

57. Nas formas dos verbos querer e pôr, sempre escreva com “S”.

Exemplos: quiS  quiSeram   quiSer   puS  puSeram  puSemos   repuSeram  depuSer  quiSessem  impuSessem

58. Depois de ditongo, sempre utilize “X”. Veja:

caiXa   frouXo   deiXar  queiXa   enfaiXar   ameiXa   queiXa  rouXinol  enXaqueca  enXotar  enXovia  enXurrada  enXame

Exceções: palavras formadas a partir de outras grafadas com CH, assim: encher, de cheio e encharcar, de charco.

59. Verbos terminados em UIR e UAR.

Verbos terminados em UAR ——- escrevem-se com “E”

Exemplos: continuar—– continue;   efetuar—— efetue;    atenuar—— atenue, etc.

Verbos terminados em UIR——— escrevem-se com “I”

Exemplos: possuir——- possui;    constituir—— constitui;    atribuir—— atribui

Observação: há certas formas de verbos terminados em uir que são escritas com e (contribuem, possuem), mas nesse caso não dúvida quanto ao emprego dessa  letra.

60. Algarismos romanos. na nomenclatura dos papas, reis, capítulos, séculos, etc. usam-se os ordinais até DÉCIMO, daí por diante, as formas cardinais, quando houver posição:

Exemplos:  Capítulo III (terceiro)  –   D. João I (primeiro) –  papa Pio X (décimo)

Porém:       Capítulo XII (doze)     –   Luís XIII (treze)       –   papa Pio XI (onze)

Se anteposto , é de rigor a forma própria, ordinal. Exemplo: O décimo quinto século foi difícil para o homem.

Observação: na numeração de artigos de leis, decretos e portarias usa-se o ordinal até 9 (nove) e o cardinal de 10 (dez) em diante. Veja: artigo 1º (primeiro), artigo 9º (nono), mas artigo 10 (dez).

O Sol deixando a tarde de Gaivotas, em Itanhaém (SP).

Fontes consultadas: Manual da Redação – Folha de S. Paulo – Publifolha (2001)

Aprender e praticar gramática, de Mauro Ferreira (edição renovada, conforme o Novo Acordo Ortográfico de 2009) – FTD

Novo Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – 2000 – Ed. Nova Fronteira

Nova Gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha & Lindley cintra – Ed. Nova Fronteira

Apostila de Gramática da equipe de professores do Curso e Colégio Objetivo – livro 12

61.Formação das Palavras

Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a derivação e a composição. A diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical.

Derivação

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada primitiva. Observe o quadro abaixo:

Primitiva Derivada
mar marítimo, marinheiro, marujo
terra enterrar, terreiro, aterrar

Observamos que “mar” e “terra” não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas.

Tipos de Derivação

Derivação Prefixal ou Prefixação

Resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado. Veja os exemplos:

crer- descrer
ler- reler
capaz- incapaz

Derivação Sufixal ou Sufixação

Resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical.

Por Exemplo:

alfabetização

No exemplo acima, o sufixo -ção  transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.

A derivação sufixal pode ser:

a) Nominal, formando substantivos e adjetivos.

Por Exemplo:

papel – papelaria
riso – risonho

b) Verbal, formando verbos.

Por Exemplo:

atual – atualizar

c) Adverbial, formando advérbios de modo.

Por Exemplo:

feliz – felizmente

Derivação Parassintética ou Parassíntese

Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e adjetivos) e verbos.

Considere o adjetivo ” triste”. Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as palavras “entriste”, nem “tristecer”.

Exemplos:

Palavra Inicial

Prefixo Radical Sufixo Palavra Formada
mudo e mud ecer emudecer
alma des alm ado desalmado

Prefixos de Origem Grega

a, an-: Afastamento, privação, negação, insuficiência, carência. Exemplos:

  anônimo, amoral, ateu, afônico

ana– : Inversão, mudança, repetição. Exemplos:

analogia, análise, anagrama, anacrônico

anfi– : Em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade. Exemplos:

anfiteatro, anfíbio, anfibologia

anti– : Oposição, ação contrária. Exemplos:

antídoto, antipatia, antagonista, antítese

apo– : Afastamento, separação. Exemplos:

apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia

arqui, arce– : Superioridade hierárquica, primazia, excesso. Exemplos:

arquiduque,arquétipo, arcebispo, arquimilionário

cata– : Movimento de cima para baixo. Exemplos:

cataplasma, catálogo, catarata

di-:  Duplicidade. Exemplos:

dissílabo, ditongo, dilema

dia– : Movimento através de, afastamento. Exemplos:

diálogo, diagonal, diafragma, diagrama

dis– : Dificuldade, privação. Exemplos :

dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia

ec, ex, exo, ecto– : Movimento para fora. Exemplos:

eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo

en, em, e-:  Posição interior, movimento para dentro. Exemplos:

encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo

endo– : Movimento para dentro. Exemplos:

endovenoso, endocarpo, endosmose

epi– : Posição superior, movimento para. Exemplos:

epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio

eu– : Excelência, perfeição, bondade. Exemplos:

eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia

hemi– : Metade, meio. Exemplos:

hemisfério, hemistíquio, hemiplégico

hiper– : Posição superior, excesso. Exemplos:

hipertensão, hipérbole, hipertrofia

hipo– : Posição inferior, escassez. Exemplos:

hipocrisia, hipótese, hipodérmico

meta– : Mudança, sucessão. Exemplos:

metamorfose, metáfora, metacarpo

para– : Proximidade, semelhança, intensidade. Exemplos:

paralelo, parasita, paradoxo, paradigma

peri– : Movimento ou posição em torno de. Exemplos:

periferia, peripécia, período, periscópio

pro– : Posição em frente, anterioridade. Exemplos:

prólogo, prognóstico, profeta, programa

pros– : Adjunção, em adição a. Exemplos:

prosélito, prosódia

proto– : Início, começo, anterioridade. Exemplos:

proto-história, protótipo, protomártir

poli– : Multiplicidade. Exemplos:

polissílabo, polissíndeto, politeísmo

sin, sim– : Simultaneidade, companhia. Exemplos:

síntese, sinfonia, simpatia, sinopse

tele– : Distância, afastamento. Exemplos:televisão, telepatia, telégrafo

Prof. Délio no Halloween do SESI 426 - Taboão - Diadema - SP

Prof. Délio em evento de Halloween, no Centro Educacional – SESI – 426 – Taboão – Diadema – SP

Prefixos de Origem Latina

a-, ab-, abs- : Afastamento, separação. Exemplos:

aversão, abuso, abstinência, abstração

a-, ad– : Aproximação, movimento para junto. Exemplos:

adjunto,advogado, advir, aposto

ante– : Anterioridade, procedência. Exemplos:

antebraço, antessala, anteontem, antever

ambi– : Duplicidade. Exemplos:

  ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente

ben(e)-, bem- : Bem, excelência de fato ou ação. Exemplos:

benefício, bendito

bis-, bi-:  Repetição, duas vezes. Exemplos:

bisneto, bimestral, bisavô, biscoito

circu(m) – : Movimento em torno. Exemplos:

circunferência, circunscrito, circulação

cis- : Posição aquém. Exemplos:

cisalpino, cisplatino, cisandino

co-, con-, com- : Companhia, concomitância.  Exemplos:

colégio, cooperativa, condutor

contra- : Oposição.  Exemplos:

contrapeso, contrapor, contradizer

de- : Movimento de cima para baixo, separação, negação. Exemplos:

decapitar, decair, depor

de(s)-, di(s)- : Negação, ação contrária, separação. Exemplos:

desventura, discórdia, discussão

e-, es-, ex– : Movimento para fora. Exemplos:

excêntrico, evasão, exportação, expelir

en-, em-, in- : Movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento. Exemplos:

  imergir, enterrar, embeber, injetar, importar

extra- : Posição exterior, excesso. Exemplos:

extradição, extraordinário, extraviar

i-, in-, im- : Sentido contrário, privação, negação. Exemplos:

ilegal, impossível, improdutivo

inter-, entre– : Posição intermediária. Exemplos:

internacional, interplanetário

intra- : Posição interior. Exemplos:

intramuscular, intravenoso, intraverbal

intro- : Movimento para dentro. Exemplos:

introduzir, introvertido, introspectivo

justa- : Posição ao lado. Exemplos:

  justapor, justalinear

ob-, o- : Posição em frente, oposição. Exemplos:

obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo

per- : Movimento através. Exemplos:

percorrer, perplexo, perfurar, perverter

pos- : Posterioridade. Exemplos:

  pospor, posterior, pós-graduado

pre- : Anterioridade . Exemplos:

prefácio, prever, prefixo, preliminar

pro- : Movimento para frente. Exemplos:

progresso, promover, prosseguir, projeção

re- : Repetição, reciprocidade. Exemplos:

rever, reduzir, rebater, reatar

retro- : Movimento para trás. Exemplos:

retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado

so-, sob-, sub-, su- : Movimento de baixo para cima, inferioridade. Exemplos:

  soterrar, sobpor, subestimar

super-, supra-, sobre- : Posição superior, excesso. Exemplos:

supercílio, supérfluo

soto-, sota-  : Posição inferior. Exemplos:

soto-mestre, sota-voga, soto-pôr

trans-, tras-, tres-, tra- : Movimento para além, movimento através. Exemplos:

transatlântico, tresnoitar, tradição

ultra- : Posição além do limite, excesso. Exemplos:

ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta

vice-, vis- : Em lugar de. Exemplos:vice-presidente, visconde, vice-almirante                                        

 FONTES CONSULTADAS:

http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf4.php

Nova Gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha & Lindley cintra – Ed. Nova Fronteira

Novo Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – 2000 – Ed. Nova FronteiraNOVO GUIA ORTOGRÁFICO – Celso

Pedro Luft – Ed. Globo

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O HÍFEN NAS ESPÉCIES BOTÂNICAS E ZOOLÓGICAS

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Novo Vocabulário Ortográfico (Novo Acordo Ortográfico, assinado em Lisboa na data de 16 de dezembro de 1990, sendo aqui, no Brasil, promulgado pelo Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008).

Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento:

Abelha-africana Bicho-do-mato Feijão-verde
Abelha-europa Couve-flor Feijão-preto
Abelha-da-europa Chá-mate Frango-d’água
Abelha-operária Chapéu-de-coco Fruta-pão
Água-marinha Cheiro-verde Galinha-d’angola
 Água-viva Cobra-coral Galo-da-campina
Arroz-doce Cobra-d’água Lesma-de-conchinha
Andorinha-do-mar Cobra-de-água Mico-leão-dourado
Bem-te-vi Chá-da-índia Sabiá-laranjeira
Bem-me-quer Chapéu-de-sol Bicho-de-sete cabeças
Bicho-da-seda Fava-de-santo-inácio

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Fonte: Novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

Créditos para RICARDO SÉRGIO – Campo Grande – Mato Grosso do Sul

2013-12-09 - Prof. Délio at SESI (72)

Prof. Délio – Debate acerca da obra Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, com alunos do 3º Ano do Ensino Médio, do SESI 426 – Taboão – Diadema.

Palavras que mantêm o uso do hífen após o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

ESCREVA COM HÍFEN

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Novo Acordo Ortográfico (Novo Acordo Ortográfico, assinado em Lisboa na data de 16 de dezembro de 1990, sendo aqui, no Brasil, promulgado pelo Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008).

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[dedo-duro] [deixa-disso] [edifício-garagem] [editor-chefe] [elemento-surpresa] [erva-cidreira] [erva-doce] [erva-mate] [escalda-pés] [escola-modelo] [espalha-brasa] [Estado-Maior] [estrela-anã] [fã-clube] [fac-símile] [fazenda-modelo] [faz-tudo] [feijão-preto] [feira-livre] [finca-pé] [físico-químico] [fogo-selvagem] [foguete-sonda] [folha-seca] [força-tarefa] [formiga-correição] [foto-legenda] [franco-atirador] [frango-d’água] [fruta-pão] [furta-cor] [galinha-d’angola] [galinha-morta] [ganha-pão] [ganha-perde] [garoto-propaganda] [gato-pingado] [goma-arábica] [grã-fino] [guarda-costas] [guarda-louças] [guarda-noturno] [guarda-pó] [guarda-volumes] [homem-rã] [jeca-tatu] [jogo-treino] [lero-lero] [livro-texto] [lugar-comum] [lustra-móveis].

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[sabe-tudo] [sabiá-laranjeira] [saca-rolhas] [Saci-Pererê] [salário-teto] [sal-gema] [salto-mortal] [salva-vidas] [salve-rainha] [salvo-conduto] [samba-canção] [samba-enredo] [sapo-boi] [seguro-desemprego] [seguro-saúde] [seguro-viagem]

Fonte: Novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

Créditos para RICARDO SÉRGIO – Campo Grande – Mato Grosso do Sul

Face - Délio e Luiza Teixeira no Sesi 426 - 2015

4 thoughts on “Caixa de ferramentas da língua portuguesa – Prof. Délio Pereira Lopes

  1. Boa noite.
    Professor Délio segue as 5 perguntas sobre o livro Aqui entre nós de Márcia Leite.

    1)Qual a editora do livro?
    R: Editora Atica

    2)Quais são os personagens principais da história?
    R: Paulo e Luís.

    3)O irmão de Paulo usava cadeira de rodas?Justifique.
    R: Sim, pois quando ele entra no carro sua mãe dobra a cadeira de rodas.

    4)Em qual aeroporto Paulo decolou?
    R: No aeroporto de Cumbica.

    5)Para qual cidade Paulo foi?
    R: Ele foi para Londres.

    Thays Lima da Costa n°26
    6° ano A
    SESI-426

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