Atividade envolvendo produção textual a partir de excerto de livro clássico – Sesi 426 – prof. Délio

Texto desenvolvido a partir de excerto de livro clássico, pela aluna Gabriela Sousa Rafael, n. 12  do Segundo Ano do Ensino Médio (período vespertino do C.E. Sesi – 426 – Taboão – Diadema); com orientação de produção do prof. Délio P. Lopes (Periquito Loves). A.O.P.: (SABINO, Fernando. O grande mentecapto, pág. 28) –

 

“Era uma tarde de sábado, e ele estava deitado debaixo de uma mangueira no quintal de sua casa. Havia silêncio em tudo, pairando sobre as árvores e as coisas ao redor. O sino da Igreja tinha acabado de bater. Então Geraldo Viramundo se apoiou nos cotovelos e estendeu o olhar, meio para longe, meio para cima. Centenas de vezes tinha estado ali, naquela mesma posição, era uma paisagem conhecida e tão familiar com o seu próprio modo de viver, que nela se completava”.

 

O amigo que tentou mudar meu destino

Muitos dizem que o que eu passei tinha sido apenas fruto da minha imaginação fértil. Que isso jamais poderia ocorrer com qualquer ser humano. Entro em debate com todos, pois ninguém sabe realmente pelo que eu passei.

Lembro-me como se fosse ontem, encontrar aquele cachorro abandonado pelas ruas, maltratado por quem passava ao seu lado. Não sei se o que eu senti foi dó, ou se foi apenas uma ironia do destino que me fez abrigar aquele pequeno animal ingênuo em minha casa.

Naquela noite, eu Mariana uma senhora de 65 anos, com cabelos brancos e as doenças causadas pela idade, estava sentada em minha cadeira predileta. Não sei o motivo de gostar tanto dela, talvez seja que ela tenha vindo de minha falecida mãe. Mas enfim, sentada eu olhava para a cara daquele cachorro tentando escolher um nome que combinasse com ele. Pensei em inúmeros, mas o que mais combinou com ele foi Pitter, já tive uma tartaruga, na minha infância, que tinha esse mesmo nome.

Vários dias se passaram e o que mais me intrigava era como eu pude me apegar tanto a um animal que havia recolhido da rua. Pitter era como se fosse a minha mãe, sempre estava comigo, quando eu chorava ele vinha aos meus pés e era como se estivesse me fazendo carinho, tentando me alegrar.

Ao passar do tempo fui percebendo que as minhas doenças tinham melhorado e o meu cabelo a cada dia ficava com uma cor mais escura. Pensava que tudo isso não passava dos efeitos colaterais dos meus fortes remédios. A cada dia ficava mais alegre e via que estava melhorando tão rapidamente que nem mesmo acreditava.

Apesar de eu estar melhor a cada dia que passava Pitter estava adoecendo, não tinha mais forças para andar. Ficava o dia inteiro deitado em baixo da mangueira no quintal de minha casa. O silêncio predominava, nenhum som de latido era mais ouvido. Ao tocar o sino da igreja Pitter sempre se levantava e ia em direção a sua casinha. Todos os dias ele ficava naquela mesma posição, apenas entrando em casa na hora de dormir.

Comecei a perceber, que a cada vez que Pitter ficava pior, eu melhorava. Cada vez que me olhava ao espelho percebia que estava rejuvenescendo. Não conseguia explicar o que eu estava passando, mas eu estava com uma aparência de uma adolescente com apenas quinze anos. Será que tudo isso seria apenas uma oportunidade para que eu pudesse viver minha adolescência da maneira que eu merecia?

Por um lado a felicidade me contagia, pois ter a oportunidade de rejuvenescer não é para todos. Mas por outro estava perdendo o meu companheiro, o animal que estava me ajudando a rejuvenescer, que estava “dando sua vida” por mim.

Foi em uma noite de domingo, eu já estava com uma aparência de uma criança de oito anos. Era baixa, vestia-me como uma senhora de 65 anos, com as roupas super largas. Pitter estava em baixo da mangueira como de costume. Sentei ao seu lado e disse-lhe tudo que estava sentindo naquele momento, que não sabia o que fazer e que ele poderia morrer há qualquer momento, pois não estava mais em condições de ficar sofrendo na terra. Não sei se Pitter escutou o que eu lhe dissera, mas assim que comecei a enxugar meus olhos depois de ter chorado muito, apenas ouvi um último latido triste de Pitter, como se fosse um adeus, antes de sua morte. 

Arrasada deitei-me ao lado do cadáver, e sem nenhum esforço adormeci. Acordo com o som de uma voz me chamando, era Marcia, minha vizinha há muito tempo. Vejo que o corpo de Pitter ainda estava no meu quintal, achando que ainda estava com a aparência de uma criança, pergunto a Marcia o que eu tinha que fazer agora. Ela espantada me deu um espelho dizendo que eu não tinha rejuvenescido e que tudo poderia ter sido apenas um sonho.

Mesmo indignada com toda situação, resolvi esquecer tudo o que havia passado e apenas enterrar o cadáver de Pitter em baixo da sua mangueira predileta. Hoje, já com 68 anos, vejo que não há maneiras de rejuvenescer, mas que há pessoas, ou até mesmo animais, que podem dar as suas vidas, pelas pessoas que mais amam.

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