Produção textual a partir de excerto de livro clássico – Sesi 426 – Prof. Délio

11/09/2010 22:04 – publicado por Periquitoloves ou Prof. Délio   [ Alterar ]   [ Excluir ]

Texto desenvolvido a partir de excerto de livro clássico pela aluna Fernanda Araújo, n. 09 da 8ª. série A (do Ensino Fundamental – período matutino), com orientação de produção do prof. Délio P. Lopes ( Periquito Loves).

A.O.P.: (BRANCO, Camilo Castelo. Amor de Perdição, p. 25) – “Domingos José Botelho de Mesquita e Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila Real de Trasosmontes era em 1779, juiz de fora de Cascais e nesse mesmo ano casará com uma dama do paço. D. Rita Teresa margarida, filha de um capitão de cavalos, neto de outro.”(…)  

Novembro chuvoso

          Era um novembro chuvoso aquele, e eu só pensava nela. Achava que tudo estava perdido e que nada fazia sentido sem minha doce Rita, a que nos últimos nove anos era o meu Sol, que me aquecia…o meu motivo de chegar em casa contente e ouvir Rita dizer: “Meu José! Que bom que você está aqui finalmente bem.”

          O que acontecia era que a há uns três anos atrás estávamos voltando do litoral, como fazíamos a seis anos, em todas as férias. Tristeza? Não, esse definitivamente não era o nosso lema. Com ela eu me sentia bem, porém aquela tarde de janeiro mudou a minha vida. Perdi o controle do carro que se chocou com outro. Em meu corpo estava tudo aparentemente normal, mas com Rita não foi assim. Ritinha…Ri…Tinha…ficou paraplégica. Além disso, descobriu-se que ela tinha um grave problema no coração.

          Eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a tragédia de Rita. Mal lembrava e um sentimento de culpa me invadia a alma. Um sentimento de culpa vinha sempre à tona e me torturava com a lembrança daqueles minutos que mudaram nossas vidas. Ela ficou depressiva e eu me fingia de forte, mas qualquer um podia sem esforço encontrar-me num dos cantos da casa, desabando de chorar.

          Um ano se passou, desde o dia do acidente e ainda estávamos nos adaptando à nossa nova e triste vida. Após o acidente, tínhamos de ir pelo menos três vezes ao hospital  por mês, para ver como reagia o coraçãozinho de Rita. Sua vida agora limitava-se a seis caixas de remédios.

          Numa noite, Rita após dois anos de sofrimento, dizia-se sufocada e começou a se debater na cama. Nada dizia com coerência, assim, imediatamente fomos ao hospital, viramos a madrugada, mas não se chegou a um diagnóstico de seu quadro clínico. Quando os pais de Rita chegaram ao hospital me senti mais tranqüilo. O médico com um semblante calmo entrou na sala de espera e nos aliviou, alegando tratar-se apenas de uma complicação passageira e superável.

          Fui ao quarto de Rita um pouco depois e entreguei-lhe um buquê de flores que comprara minutos antes, dei-lhe um terno beijo na testa e, ela em resposta, sorriu. No dia seguinte fui para o trabalho e Rita ficou em observação. Logo me ligaram do hospital. Tremi. Rita havia piorado. Corri para o lá. Recebi a notícia que nunca quis ouvir: ela falecera.

          Para mim era o fim. Nunca chorei tanto. Sai do quarto para tomar um pouco de ar, pois aquela atmosfera de tristeza me sufocava. Olhei para um grande vaso de flores e vi algo brilhando.  Era uma garrafa estranha. Peguei-a e limpei o vidro para saber seu conteúdo. Nesse ato saltou um gênio do interior da garrafa. Achei que estava tendo alucinações…muito normal num momento como aquele, disse para mim mesmo. Mas era real e ele me concedeu um único desejo. Pedi-lhe que eu deixasse de ser humano e me transformasse num coração para Rita. Pedi,  no entanto, alguns minutos para escrever um bilhete. E hoje, você Rita deve estar se perguntando quem era esse José. O homem do bilhete…foi o que mais te amou e que trocou sua vida por você…mas que “vive” feliz, te acompanhando a cada batida do teu coração. Esse coração que bate forte dentro de você…tão forte como foi meu amor por ti.     

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