Romantismo no Brasil – Primeira, Segunda e Terceira Gerações Românticas – Prof. Délio

Literatura – Apontamentos acerca do Romantismo no Brasil – Prof. Délio – Sesi 426

 

 O ROMANTISMO NO BRASIL SUA FASE INICIAL

Em terra brasileira o romantismo se desenvolve diante do grande conflito que busca o aprimoramento para a formação da identidade do país com o surgimento das diferentes culturas locais e com influências europeias. De acordo com Afrânio Coutinho, o romantismo brasileiro se inicia diante de grandes divergências nas idealizações e produções literárias, mas foi possível integrar com unidade em torno de um mesmo objetivo, expandir com uma literatura brasileira, com inovações românticas.

Escritores do Romantismo brasileiro (influência individual e coletiva)

O Romantismo brasileiro é algo sui generis devido à fusão que realizou a partir do momento pessoal e ao momento coletivo. Vale dizer que,  o individualismo existente entre os escritores dá lugar ao coletivo e culmina com uma estética romântica melhor definida e engajada.

Gêneros envolvidos no Romantismo brasileiro

Desenvolvem-se nesse período a poesia lírica, o romance, o jornalismo, a eloquência, o ensaio e a crítica, que abordavam o literário e o artístico, não esquecendo do político e do social. Todas as inovações estavam voltadas para as questões do aprimoramento do movimento literário, o improviso, a inspiração e a espontaneidade, advindas de transformações que já anunciavam a liberdade de expressão e política. Segundo Afrânio Coutinho, o Romantismo na Europa será um sistema inovador na literatura, chegando ao Brasil com algumas diferenças, pois o Romantismo europeu sofreu ingerências diretas da Revolução Industrial e Francesa, enquanto que no Brasil as raízes românticas só começam a se desenvolver com a independência do Brasil, fato que ocorreu por voltas do século XIX, com conflitos antecedentes que começaram na Europa com a invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal. Dessa maneira a Coroa Portuguesa (D. João VI) e boa parte de seus aliados instalam-se no Brasil, no Rio de Janeiro, no ano de 1808. O Brasil que ainda era Colônia de Portugal, posteriormente com sua independência, inicia um novo período de organização social, econômica e cultural (literário). Nosso Romantismo então começa a ganhar traços, fruto do pensar e agir das pessoas, permitindo que os brasileiros começassem aos poucos uma nova leitura da realidade e refletir sobre novas ideologias. Logo, o Romantismo proporcionou a valorização dos elementos locais, análise e interpretação da realidade brasileira, abrindo caminho para uma das mais importantes características da literatura brasileira: o regionalismo.

 

O Romantismo brasileiro conquista seu lugar

Com um olhar um pouco mais amplo, Alfredo Bosi afirma que “incialmente o Brasil de hoje era considerado apenas colônia de Portugal, portanto objeto de uma cultura, já desenvolvida. E diante das primeiras ações tudo que se pretendia era o carrear de bens materiais para fora da Colônia, ou seja, uma verdadeira exploração das riquezas para o mercado externo (Portugal) principalmente, incluindo produtos do tipo vegetal e mineral. E a conquista para sair deste espaço do não ser objeto explorado, para ser sujeito de sua história, exigiu muitas lutas, sendo um processo lento, pois dependia do aprimoramento cultural de seu povo. Mas todo esse processo ganhou força graças ao entusiasmo de D. Pedro II, que contribuiu muito para a consolidação da cultura nacional brasileira, implantando instituições de ensino que  culminaram com a ampliação do público leitor e aumento da publicação de obras que se tornaram o início do referencial historiográfico e literário brasileiro.

O ROMANTISMO E SUAS GERAÇÕES NO BRASIL 

 Primeira Geração Romântica (Indianista ou Nacionalista)

Segundo Coutinho (2001, p. 157-158), posteriormente à fase inicial, considerada como pré-romantismo, período que ainda não tinha uma definição apropriada para as obras literárias no território brasileiro (1808-1836). Posteriormente ao Brasil Colônia, inicia-se a Primeira Geração do Romantismo brasileiro, destacando-se nesse período Gonçalves de Magalhães, sendo o responsável pela criação de uma literatura nacional ainda não existente, uma vez que até aquele momento o que prevaleciam até aquele momento  eram as correntes portuguesas, ou seja, a literatura brasileira ainda não tinha méritos de uma visão própria.  Assim, o Visconde de Araguaia, Domingues José Gonçalves de Magalhães foi nosso primeiro homem de letras. Simbolicamente lançou, na França  a revista “a Niterói – Revista Brasiliense” e lança no mesmo ano um livro de poesias românticas intitulado “Suspiros poéticos e saudades” (1836).

 

Gonçalves Dias, o poeta brasileiro mais original do século XIX. Um conhecedor da realidade brasileira, isso lhe proporcionou uma produção de obras que não se comparavam aos estilos anteriores porque se aproximavam muito da realidade local. Antônio Gonçalves Dias (1823) tinha uma visão originalmente brasileira. O índio teve seus privilégios de estar sempre presente em suas publicações, mesmo porque o índio de Gonçalves, figura real brasileira, não era fruto de idealização. Tratava o índio como substância poética e não como acessório, para o enriquecimento do estilo poético. Suas obras apresentavam estilo inovador, inspiradas na vida cotidiana da pátria Brasil. Se destacou com diferentes obras, dentre elas: “Canção do Exílio e I Juca Pirama”.

 

Segunda Geração Romântica (Byroniana ou do Mal –do- Século)

De acordo com Bosi (2003, p. 109-110), a “segunda geração romântica” se  desenvolve como uma ideologia de extremo subjetivismo, sofrendo fortes influências de Lord Byron e Musset. Toda a produção poética se volta para os pensamentos emotivos os quais touxeram sérias consequências para a vida pessoal dos poetas (alguns poetas ainda adolescentes, mortos antes de tocarem a plena juventude, darão exemplo de toda uma temática marcada pelo sentimento do amor e pela morte, dúvidas e ironia, entusiasmo e tédio (“spleen de Musset). Conforme Coutinho (2002, p.139), essa geração de poetas passa a ser conhecida como “mal do século”, justamente por sua poesia pessimista e decadente, pela influência da tristeza, pelo delírio desenfreado, sem visão da vida em sociedade, e principalmente pela valorização da morte. Autores desse período como Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu desenvolveram seuspoemas como todo o subjetivismo ultrarromântico, viviam em constante devaneio, buscando amparo no sentimentalismo exagerado, fugas constantes da realidade, tentativa de prolongar as dores, culto ao tédio e desencanto bem como ao proibido e obscuro. Suas produções valorizavam o lado escuro da vida, fixação do pensamento na morte, com temáticas que privilegiavam o sobrenatural, povoadas de túmulos, crepúsculos e noites sombrias. As mulheres, personagens ou objetos de suas obras eram seres idealizadas e nunca concretizadas na vida real. Álvares de Azevedo deixou obras como “Lira dos Vinte Anos”, um drama intitulado “Macário”, e “Noite na Taverna”, livro de contos fantásticos. Segundo alguns autores (José de Nicola), para Casimiro de Abreu faltava originalidade nos temas revisitando os de outros poetas, sendo que sua obra de destaque foi o volume de poesias intitulado “As primaveras”, sendo que sua obra mais popular trata-se de “Meus oito anos” (poesia). Figura ainda na Segunda Geração Romântica, Junqueira Freire (1832), poeta que viveu uma contradição entre a vida religiosa, mais espiritual , e a vida material, mais mundana.  Foi monge beneditino dos 18 aos 22 anos. Viveu a clausura da igreja e frustração do celibato que era transparente na maioria de suas obras. São suas obras “Contradições poéticas” e “Inspirações do Claustro”.  Também Fagundes Varela pertenceu à Segunda Geração Romântica do Brasil, cultivando em sua obra todos os temas presentes no Romantismo:  exaltação à natureza, ao amor, byronismo, enveredando pela poesia patriótica e social. Varela é entendido como autor de transição entre a Segunda e Terceira Geração Romântica. São obras suas: “Diário de Lázaro”, “Cantos Religiosos e Anchieta” ou “O Evangelho nas Selvas”. Sua obra mais popular é “Cântico do Calvário” (em memória de seu filho morto a 11 de dezembro de 1863.).

 

Terceira geração Romântica (Social, Condoreira ou Hugoana) 

De acordo com Bosi (2003), a terceira geração da poesia romântica foi caracterizada por versos sociais e libertários que refletiam as questões que envolviam o Brasil Império. Essa geração recebeu influências de Victor Hugo, poeta que também desenvolveu uma poesia política e social. Aqui tal poesia aderiu ao movimento nacionalista ligado ás lutas pela abolição da escravidão. Seu Principal expoente foi Antônio Frederico de Castro Alves. O poeta cultivou o egocentrismo.  No lirismo intimista e amoroso que também pratica, inspira-se em Eugênia Câmara (atriz portuguesa). Paixão que o torna às vezes irreverente. Mas estava sempre atento à realidade que o rodeava, escrevendo sobre abolicionismo, a liberdade, a igualdade, as lutas de classe, a democracia, os oprimidos e república. Com poucas divergências em suas abordagens, Alfredo Bosi e Afrânio Coutinho consideram a poesia condoreira como inovadora, surgindo como um novo conceito na realidade daquela época. Castro Alves, enquanto representante dessa geração, é visto como inovador, apresentando uma nova linguagem poética. Sua obra rompe o silêncio existente sobre os negros escravos e expõe um problema social, distinguindo-se da literatura clássica, que voltava o olhar para o índio, o amor e as diferentes culturas urbanas.

Obras de Castro Alves: “Vozes D’África”, “Canção do Africano”, “Saudação a Palmares”, “Navio Negreiro”, “Gonzaga ou A Revolução de Minas” (drama), dentre outros.

 

Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade) – 1833

Desde jovem questiona a aristocracia rural do Maranhão, abraçando também a causa abolicionista e republicana. Sua poesia, é em grande parte, fruto das viagens que fez.  Conheceu muito bem o índio brasileiro, as cultura europeia e norte-americana. Sua obra bastante original destaca-se pelo estilo, emprego de vocabulário indígena e estrangeiro, neologismos, exploração da sonoridade dos versos, tudo apoiado em constante pesquisa. Sua obra mais conhecida é “Guesa errante” (obra baseada na lenda de indígenas andinos: Guesa era o adolescente sacrificado pelos sacerdotes em oferenda aos deuses.).

Mulheres no Romantismo

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