Neorrealismo e o romance social brasileiro

Teacher Délio flies around Peúíbe beach on January 11th, 2013.

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Neorrealismo – Aspectos Aspectos históricos e  estruturais

O Neorrealismo apresenta-se como uma corrente literária de influência italiana que anexa algumas componentes da literatura brasileira, nomeadamente a da denúncia das injustiças sociais do romance nordestino. Quer na poesia, quer na prosa, o neorrealismo assume uma dimensão de intervenção social, intensificada pelo pós-guerra e pela sedução dos sistemas socialistas que o clima português de ditadura instaura.

No romance, Soeiro Pereira Gomes, com Esteiros, e Alves Redol, com Gaibéus, de 1940, inauguraram, na ficção, uma obra extensa e representativa, que também muitos dos outros poetas mencionados (sobretudo os quatro primeiros) contribuíram para enriquecer.

Na confluência com o existencialismo e com certas componentes da modernidade, são de salientar as obras mais tardias de José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e O Hóspede de Job, de Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol, de Alexandre Pinheiro Torres, A Nau de Quixibá, ou de Orlando da Costa, Podem Chamar-me Eurídice.

O romance neorrealista reinstala os mecanismos da representação narrativa, inspirando-se das categorias marxistas de consciência de classe e de luta de classes, fundando-se nos conflitos sociais que põem sobretudo em cena camponeses, operários, patrões e senhores da terra, mas os melhores dos seus textos analisam de forma acutilante as facetas diversas dessas diversas entidades, o que se pode verificar, nomeadamente, em Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira, Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, O Dia Cinzento, de Mário Dionísio e Domingo à Tarde, de Fernando Namora.

Vários autores no Brasil de modo quase osmótico, misturaram nuanças literárias com o Neorrealismo, notadamente o português, dentre eles ressaltam-se  Rachel de Queirós, José Lins do Rego, Amando Fontes, Graciliano Ramos e Jorge Amado. De forma mais intensa o romance entre o Neorrealismo luso e o trabalho literário de Jorge Amado será  sobre o qual nos debruçaremos com mais afinco, pois quase nada há de guardar mistério das confluências verificadas em um e no outro.

Alguns textos do movimento neorrealista flertaram abertamente com os pergaminhos do grande autor brasileiro. Assim, os temas e o estilo de Jorge Amado passaram a ser comungados dentro da esteira de estruturação realista. Nos textos, as frases curtas, a ordem diretas dos termos, a simplificação vocabular unificam o modo de escrever. Pelo lado por  exemplo de Jorge Amado imperava a necessidade de ser entendido, particularmente pelos menos letrados e favorecidos, numa tentativa que buscava atingir as massas de forma inequívoca e transparente.

Entretanto, não foi apenas o romance social brasileiro que ofereceu sua contribuição ao Neorrealismo luso. Assim, nos anos de 1930, autores americanos como Steinbeck e John dos Passos cuja geografia de origem familiar era a Ilha da Madeira, ou seja, de Portugal.

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