Depois da aula, GIOVANA Letícia

Divido com meus leitores, um dos textos de minha aluna Letícia Giovana, que desde a oitava série, quando tive contato com seus primeiros textos, produzidos na sala de aula ou na biblioteca escolar, já me conquistaram por sua inventividade, potencialidade de narrativa, velocidade de sequência que imprime aos fatos, que em seu conjunto, formam um estilo de escrita que não dá tempo para o leitor respirar e já ficar instigado em saber o resto da trama. Tudo isso, é Letícia Giovana, autora adolescente que já dispõe de centenas de fãs, dentre os quais, orgulhosamente, eu, seu mero professor de língua portuguesa e literatura.

Depois da Aula

Era uma bela manhã de fins de novembro. A noite nevara um pouco, e o chão estava coberto por um “tapete” fresco que não tinha mais que três dedos. Aquele não era exatamente um cenário de enterro ou similares, mar era naquela manhã de novembro que completavam sete dias que Max morrera. Max estudou por muito tempo com Jen e a maior parte de seus amigos.

Jen, Prim, Catherine, John e Cam eram amigos desde o primeiro ano escolar, dois anos depois, ficaram amigos de outro grupo: Angelina, Alia, Will, Harry, George e Ed. Logo tornaram-se um só grupo de amigos inseparáveis. Em algum momento que ninguém se lembra exatamente, Max começou a estudar com os alunos citados anteriormente, ele era primo de George e ao contrário do que se supunha, Max não tentou se aproximar dos amigos do primo ao chegar na nova escola, mantendo contato apenas com George e um contato que não era muito frequente. Max preferiu se aproximar de outros dois novatos:  David que vivia soltando comentários inapropriados e Freddy que parecia um tanto louco, parecia viver em um mundo a parte.

David namorava Luce, uma garota da mesma série que ele, só que de outra sala. No ano anterior, David foi reprovado e Luce começou a estudar na mesma sala dos outros alunos, amigos de George e Max. Luce começou a se aproximar de Max que sempre lhe ajudava nas matérias que ela tinha dificuldade, ou seja, todas exceto Arte. Com isso, os sentimentos da garota se abalaram e ela terminou com David para ficar com Max.

No meio do ano, porém, Luce saiu da escola e ninguém mais a viu até o dia do enterro de Max, no qual ela estava desesperada, só então, todos ficaram sabendo que o namoro dos dois tinha continuado após Luce ter saído do colégio.

Depois que David fora trocado, ele afastou-se de Max, porém, em seu enterro ele parecia triste de verdade, enquanto Freddy ficou o tempo todo com fones de ouvido e com a cara enfiada num livro.

Naquela manhã de novembro, houve na escola, uma missa de sétimo dia realizada na quadra principal, com muitas homenagens de parentes, de alguns amigos como David que no discurso falava que sentia muito por ter se afastado de Max, isso surpreendeu a todos. Luce chorou muito enquanto falava.

-Eu achei que você ia falar algo hoje! Ele era seu primo! – Harry falou para George.

-Éramos primos, não próximos! – Respondeu George sem tirar os olhos do jogo do celular.

Apesar da missa ter acontecido na escola, apenas um aluno falara algo: David. Uma professora da escola, chamada Suzan finalizou a cerimônia que aconteceu no momento das intenções da missa. Suzan começou o discurso com tom triste um tanto forçado:

-Fico honrada de representar meus colegas num momento como este, apesar da minha imensa tristeza! Max era um aluno exemplar e nunca entenderei o motivo dele ter tomado a decisão do suicídio…

-Ele não se matou! – Gritou a irmã de Max.

Suzan fingiu não ouvir:

-Ele deixou uma carta, na qual escreveu uma linda frase que a família me permitiu compartilhar com vocês! – Suzan respirou fundo e leu em um papel: -“Devemos aproveitar a vida a cada instante como se fôssemos infinitos, amar os amigos e parceiros como se nossa vida dependesse disso, devemos desconfiar de todos como se todos tivessem uma arma escondida pronta para ser usada contra nós!”.

Silêncio sucedeu-se. Suzan secou uma lágrima inexistente e finalizou:

-Obrigada!

Após a missa enquanto os alunos seguiam para suas salas de aula, os amigos e familiares de Max deixavam a escola, porém, Luce continuava sentada e chorando.

-Luce não vai embora com os outros? Será que ela esqueceu que não estuda mais aqui?  – Notou Will.

-Ela deve está mais doida do que já é! – Riu Harry.

-Ela não é doida, seu idiota! Ela só tem dificuldade de aprendizado! – Bronqueou Prim.

-Isso aí, amor! – Cam falou abraçando Prim.

-Para, você sabe que eu namoro e meu não gosta disso! – Prim ainda estava séria, falou isto enquanto afastava-se de Cam que há dois anos insistia em chamá-la de “esposa” o que acabou fazendo com que o namorado de Prim sentisse um tanto de ciúmes de Cam.

Neste momento, Freddy e David passaram pelos amigos olhando especificamente para Prim e Cam.

-Falo nada pra esse povo que não respeita o namoro dos outros! – Resmungou Freddy sem achar que os amigos o escutaria.

-E o que você tem a vê com isso afinal? Se a gente aqui é apenas amigo um do outro ou se aqui tem algum casal não é da sua conta.

Todos sabiam que Cam estressava-se facilmente. John segurou um de seus braços:

-Calma, Cam! Não faça nenhuma besteira!

As coisas pareciam começar a acalmarem-se quando David solta um de seus comentários inapropriados:

-Qual o problema dele expor a sua opinião?

Cam soltou-se de John e acerto um soco no nariz de David e imobilizando Freddy que tentou dar um soco em seu peito.

-Ia mesmo me bater, Freddy? – Cam acertou um soco em seu olho em seguida um chute nas costas de David e continuou: -E isto é pra vocês aprenderem que existe uma certa diferença entre expor uma opinião e intrometer-se onde não é chamado.

Cam estava vermelho e não parecia que iria parar de bater nos meninos. Tudo acontecera tão rápido que nenhum dos amigos conseguiram ter alguma reação. Freddy já estava um tanto roxo e David limpava na manga o sangramento constante do nariz, ele estava caído no chão e olhava para Jen. Jen estava aninhada nos braços de John, escondendo o rosto atrás da cortina formada por seus cabelos enquanto estava com o rosto pousado no pescoço de John. Os gritos de outros alunos que começavam a se aproximar que diziam: “Briga! Briga! Briga!…” fez com que Jen conseguisse finalmente raciocinar. Olhou para David e se colocou entre ele e Cam que ainda imobilizava Freddy:

-Para! Cam, por favor…

Os outros também despertaram do “transe”. Ed e John seguraram Cam. Ao ser solto por Cam, Freddy quase caiu nos braços de Jen, mas, Harry e Will o seguraram e George ajudou David a se levantar. Neste momento, apareceu a diretora da escola que tinha voz de ratinha e a professora Lauren, a qual 11 de cada 10 alunos a odiva. Foi Lauren que falou:

-Temos alunos ou selvagens nesta escola?

Cam soltou-se de John e acerto um soco no nariz de David e imobilizando Freddy que tentou dar um soco em seu peito.

-Ia mesmo me bater, Freddy? – Cam acertou um soco em seu olho em seguida um chute nas costas de David e continuou: -E isto é pra vocês aprenderem que existe uma certa diferença entre expor uma opinião e intrometer-se onde não é chamado.

Cam estava vermelho e não parecia que iria parar de bater nos meninos. Tudo acontecera tão rápido que nenhum dos amigos conseguiram ter alguma reação. Freddy já estava um tanto roxo e David limpava na manga o sangramento constante do nariz, ele estava caído no chão e olhava para Jen. Jen estava aninhada nos braços de John, escondendo o rosto atrás da cortina formada por seus cabelos enquanto estava com o rosto pousado no pescoço de John. Os gritos de outros alunos que começavam a se aproximar que diziam: “Briga! Briga! Briga!…” fez com que Jen conseguisse finalmente raciocinar. Olhou para David e se colocou entre ele e Cam que ainda imobilizava Freddy:

-Para! Cam, por favor…

Os outros também despertaram do “transe”. Ed e John seguraram Cam. Ao ser solto por Cam, Freddy quase caiu nos braços de Jen, mas, Harry e Will o seguraram e George ajudou David a se levantar. Neste momento, apareceu a diretora da escola que tinha voz de ratinha e a professora Lauren, a qual 11 de cada 10 alunos a odiva. Foi Lauren que falou:

-Temos alunos ou selvagens nesta escola?

A diretora levantou a pequenina ,ao, em seguida apontou para Freddy e David, cortando Lauren e deixando-a sem graça.

-Sr. David e Sr. Freddy, os dois para a enfermaria. E saibam que hoje será o primeiro dia de uma semana de detenção. – Ela apontou em seguida para Cam: – E para o senhor, serão dez dias de detenção.

Ed tomou partido:

-Foram Freddy e David que começaram, senhora! Cam apenas nos defendeu!

-Defendeu vocês? Vejo então que tínhamos mais um envolvido na briga! Sua detenção será tal qual a de Cam!

-Eu não fiz nada, senhora! – Defendeu-se Ed enquanto todos assentiam.

-Desta vez, mas o senhor que a sua ficha não é limpa, afinal, qual a necessidade de trazer um canivete para a escola?

Todos exceto George pareciam surpresos. Aliás, George não se surpreendia com mais nada desde a morte de Max.

Quando a situação acalmou-se, Jen abraçou Cam e Ed ao mesmo tempo:

-Eu sinto muito! E, Ed, você foi brilhante ao ajudar Cam!

-Obrigado! – Ele envergonhou-se.

-Mas para que o canivete? – Questionou Will.

Ed gaguejou. Angelina pareceu levemente agitada e desconversou:

-Luce ainda está lá parada. É difícil perder quem amamos, ok? Eu vou falar com ela.

-Como você sabe, Angelina? – Interessou-se Alia.

-Eu sei sabendo, oras! Vão mesmo implicar? – Irritou-se Angelina.

-Calma aí, Angelina! Você está de TPM? – Riu Harry.

-Cale a boca, Harry! Eu de TPM, mando rapidinho um para o outro lado da vida pra trocar ideia com Max.

-Nossa! – Falaram os amigos em coro.

-Já chega! Eu vou falar com ela! – Angelina virou-se e começou a caminhar em direção à Luce.

-Eu vou com você! – Catherine começou a seguir Angelina.

-Eu também! – Alia fez o mesmo que Catherine.

Jen estava apoiada no ombro de Cam. John pegou sua mão:

-Jen, temos que falar com a professora de teatro, lembra?

-Pelos céus! Como esqueci? Amy falou ontem que  tínhamos que ir assim que acabasse a missa!

-Vocês vão atuar? – Perguntou Prim que acompanhara as amigas com o olhar até chegarem à Luce, o que acontecera naquele momento.

-Sim. – Jen respondeu já se afastando-se de Cam.

-O que? – Perguntou Harry.

-Shakespeare. – Respondeu John. – Os papéis principais.

-De “Romeu e Julieta”? – Sorriu maliciosa Prim.

-Sim. Por quê? – Jen avançava em direção ao prédio.

-Até a professora Amy já notou que vocês…

-Cale a boca, Prim! Somos os únicos da sala que fazemos teatro fora da escola, ok?

-Ok! – Prim levantou as mãos rindo, tentando parecer inocente.

Jen e John afastaram-se dos demais amigos. Entraram no elevador, apertaram o botão para irem ao terceiro andar, no qual ficava a sala dos professores. Jen ia encostar em uma das paredes, mas John a puxou:

-Cuidado!

Jen viu que estava escrito em vermelho: “Devemos aproveitar a vida a cada instante como se fôssemos infinitos, amar os amigos e companheiros como se nossa vida dependesse disso, devemos desconfiar de todos, como se todos tivessem uma arma escondida pronta para ser usada contra nós!”.

-A frase da carta de Max! – Falou John.

Jen passou o dedo apagando o ponto de exclamação do fim da frase. Esfregou de leve o material vermelho entre o polegar e o indicador depois cheirou. Empalideceu:

-John… É… Sangue…

John deu um lenço para que ela limpasse a mão e, em seguida a abraçou:

-É só gracinha de alguém, Jen!

-A irmã de Max disse que ele não se matou! E se for verdade? E se formos os próximos?

-Jen, ela falou isso porque é difícil para a família aceitar, e alguém se aproveitou disso para tentar nos assustar, ok?

-Ok! – Ela disse apertando mais o abraço em John deixando sem querer que o lenço caísse quando saíram do elevador.

—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—//—

Enquanto isso, Catherine, Alia e Angelina conversavam com Luce.

-Luce, é difícil, mas você tem que ter fé que isso passa logo! Arruma coisas para você se distrair! – Sugeriu Catherine.

-Luce, acredite em mim! Eu já passei por isso! – Tentou consolar Angelina.

-Você teve algum namorado que morreu, Angelina? – Entre lágrimas, Luce questionou.

-Não era namorado exatamente… Todo fim de ano eu vou para a fazenda do meu avô, no interior. Lá havia um capataz. Há três anos eu o conheci… Ficamos algumas vezes, mas ninguém sabia. Ele dizia que ia juntar dinheiro até conseguir se estabelecer e eu sonhava com isso! Só que tínhamos um combinado: Só contaríamos sobre nós dois, pra quem quer que fosse, quando tivéssemos condições de ficarmos juntos…

Angelina olhou para cima segurando as lágrimas. Catherine a abraçou, Alia falou o que todas pensavam:

-O que houve para que vocês não ficassem juntos?

-Eu estava lá… Era missa de Natal… A pequena igreja da cidade incendiou. Ele me puxou para fora. Minha família conseguiu escapar. A dele sequer tinha ido à missa. Foi quando vimos uma mulher desesperada. O filhinho dela estava nas chamas. Ele entrou novamente na igreja… Cinco minutos depois o menino saiu correndo dizendo que o meu “namorado” tinha o salvado e lhe mandara correr quando já estavam próximos da porta e ele prendeu um dos pés em alguma coisa. Depois, uma parte do telhado desabou sob ele. Os bombeiros só encontraram pedaços soltos de seu corpo…

-Ano passado foi “Hamlet”, e “Romeu e Julieta” é clássico! Sempre desejei ser Julieta!

-E você vai ser, Jen! Por que acha que Amy chamou apenas nós dois aqui?

-É, acho que você está certo.

Jen sentou em frente ao piano, tocou quatro notas e falou:

-Onde está Amy afinal? Já faz meia-hora que Lauren veio chamá-la, e, isso porque disse que seria rápido.

-Seja como for, Amy disse que hoje temos o dia livre, pois teoricamente, estamos trabalhando na peça!

-Você não está sugerindo que a gente cabule, não é?

-Não! A gente fica aqui, se alguém aparecer e mandar a gente ir pra sala, a gente vai.

-Ok! Melhor que ir pra aula da Lauren!

-Nem se compara!

-Você vai ficar depois da aula hoje, John?

-Tem futebol hoje. Mas com o Cam e o Ed em detenção, eu não sei se ainda está de pé.

-Entendi.

-E você? Vai ficar?

-Sim. Eu tenho ballet hoje.

-Entendi.

John sentou-se ao lado dela. Jen puxou assunto:

-Freddy faz futebol com você, não faz?

-Faz. Por quê?

-Ele sempre foi diferente, mas, eu nunca o notei de fato. Só que hoje…

-O que tem?

-Primeiro: Na missa e no enterro ele ficou o tempo todo com fone de ouvido e livro embaixo do nariz. Isso é estranho, porque ele e Max eram muito amigos.

-Cada um reage com a dor de um jeito.

-Ok. Depois, a irmã de Max falou que ele não se matou, ou seja, foi assassinato. Logo, pra um assassinato parecer suicídio, precisa ter sido cometido por alguém muito próximo dele.

(Fica aqui um excerto de texto e uma pequena amostra do talento de Letícia Giovana.) Prof. Délio Image

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