Catálogo de resumos acerca de obras literárias – Prof. Délio Pereira Lopes

2014-12-12 09.56.18

Prof. Délio Pereira Lopes    

Catálogo de resumos, de obras literárias

(12)       O que se tem aqui, não se trata de um “empreguiçador” de leitores, mas sim uma oferta descricional de obras clássicas, que espera-se atuar como forma de despertar a curiosidade do leitor, que pretenda ou não visitar esses textos, restando entanto um “convite” de como poderia ser a empreitada da leitura desse ou doutro livro. (Prof. Délio Pereira Lopes)

Literatura Portuguesa

Julio Dinis                                           (Pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho)

           As Pupilas dos Senhor Reitor – (Movimento Literário: Romantismo Português) Obra de Júlio Dinis, pseudônimo de Joaquim Guilherme gomes coelho, narra a história de duas irmãs, filhas de casamentos diferentes do mesmo pai, que, estimando-se profundamente, são pessoas com comportamentos inteiramente opostos. Clara e Margarida, ambas muito boas e de bom espírito, mas com opiniões antagônicas acerca da vida: a primeira sempre alegre, feliz consigo e com os outros; a segunda, fechada, por vezes misantropa, vive a remoer um idílio infantil com a personagem Daniel, sendo entanto muito discreta nesse sentimento. Clara fica noiva de Pedro, irmão de Daniel, também diferente do irmão no seu modo de ser. Pedro tem a índole de lavrador, vive na aldeia. Daniel forma-se em Coimbra, no curso de medicina e, ao regressar à terra natal, não se adapta mais ao meio, perdendo-se em devaneios sentimentais e namoros despretensiosos, incluindo nesses até mesmo a noiva do próprio irmão. A trama tem um “happy-ending”, com o casamento de Daniel e Margarida, após os contratempos normais dos romances.

Os Lusíadas – (Movimento Literário: Classicismo Português) Publicado em 1572, sob a proteção do Rei D. Sebastião, o poema épico de Luís Vaz de Camões, tem como tema principal a viagem de Vasco da Gama às Índias. Apresenta de forma representativa na narrativa dois heróis: Vasco da Gama (herói individual) e o povo português (herói coletivo).

          O poema narra, além da descoberta do caminho marítimo para as Índias, as Grandes Navegações Portuguesas, a conquista do Império português do Oriente e toda a história de Portugal, seus reis, seus heróis e batalhas que venceram. Ao mesmo passo, desenvolve-se uma grande ação mitológica; a luta que travam os deuses do olímpicos (o maravilhoso pagão), contrapondo Vênus e Marte (favoráveis aos lusos) a Baco e Netuno (contrários às navegações). No final da narrativa, na Ilha dos Amores, Vênus recepciona os navegadores, após os sucessos na Índia, os heróis comemoram com as ninfas, Vasco da Gama com Tétis, a deusa entrega ao capitão português os segredos da “máquina do Mundo”, prevendo e exaltando os grandes feitos dos lusitanos.

      

José Maria Eça de Queiros

José Maria Eça de Queirós

A ilustre casa de Ramires (Movimento Literário: Realismo Português)  

            A obra foi publicada em 1900, apresenta duas narrativas ao mesmo tempo: a primeira é a do fidalgo Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista: a segunda, a de Tructesindo. O objetivo de Gonçalo, ao escrever a novela, é a sua promoção política na vela aldeia de Santa Irinéia. Deveria, assim, publicá-la nos Anais de Literatura e História, a convite de seu amigo José Lúcio Castanheiro, diretor dessa revista.

           No decorrer da narrativa, o leitor vai tomando conhecimento da vida de Tructesindo Mendes Ramires: ele assistira a morte de seu próprio filho, no alto de sua torre, e tramara depois uma vingança cruel contra os culpados. O modo como Gonçalo narra sua novela faz lembrar os estilos de Garrett, Alexandre Herculano e Rebelo da Silva, ficcionistas românticos voltados epicamente para o passado.

           Em oposição a estes estilos, a ação atual, isto é, a vida de Gonçalo, na aldeia de Santa Irinéia, é mais leve, evidenciando-se a ironia de situações. Assim, enquanto na novela a Torres de D. Ramires, Tructesindo defende a casta familiar até às últimas consequências, na vida real Gonçalo subverte-a por motivos políticos. Aproxima-se de André Cavaleiro, Governador civil do distrito (contra quem escrevera artigos, denunciando seu dom-joanismo e despotismo), mesmo sabendo que ele cortejava sua irmã, Gracinha, esposa de José Barrolo (apelidado de Bacoco).

           Gonçalo está consciente de que sua dignidade está perdida e busca a salvação: o casamento com Ana Lucena, viúva rica e bonita, mesmo sendo neta de carniceiro e irmã de assassino.

           Mas isso não era problema: o mesmo tinha acontecido em relação aos seus ascendentes…com o dinheiro do casamento, restituiria à velha torre seu resplendor de outras eras. Mas também aí não encontrou uma saída fácil: seu amigo Titó (na verdade, amante da viúva) confidenciou-lhe que a escolhida tinha ou tivera dois amantes, razão suficiente para afastar as pretensões do fidalgo. (p. 190 – Objetivo)

      Alunos 3o E.M. SESI - 2014

Prof. Délio e alunos do 3o Ano do Ensino Médio, do Centro Educacional – SESI 426, da Turma de 2014 (Que Deus distribua estas sementes que aqui estão, a fim de que elas possam florescer com a beleza que só delas  pode emanar e, que o mundo com sua vastidão, seja abrigo bastante para suas grandezas infinitas.) 

 

 

Vidas Secas image for  Teacher's Délio Blog

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Vidas Secas (Movimento Literário: Modernismo Brasileiro)

 

Romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase do Modernismo, conhecida como regionalista. O enredo, marcado por falta de linearidade temporal, tem dois capítulos bem definidos: o primeiro (“Mudança”) e o último (“Fuga”). O primeiro narra as agruras da família sertaneja na caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, enquanto que em “Fuga” os retirantes partem da fazenda para uma nova busca de condições mais favoráveis de vida. O romance estrutura-se por meio da sequência retirada/ permanência em terras alheias/ retirada. Nos 11 capítulos intermediários, a família dos retirantes não se estabelece em um lugar próprio, mas na propriedade de um fazendeiro, onde Fabiano (vaqueiro rude, que pouco fala; chefe da família de retirantes), assume a condição de meeiro (lavrador que planta em sociedade com o proprietário do terreno, fazendo jus à metade da colheita).

Merece destaque, no romance, o capítulo “Baleia” (personagem curiosa: cadela da família), que inversamente a algumas personagens da obra, enquanto elas se “animalizam” (zooformização), a cadela ganha qualidades humanas (antropomorfização). Esse capítulo foi o primeiro escrito na obra por Graciliano Ramos, sendo o que mais tem autonomia em relação aos demais, podendo sua leitura ser feita até isoladamente. Entretanto, os outros capítulos da obra também são independentes, sendo possível suas leituras sem seguir àquela disposta no livro pelo autor, garantindo à obra um aspecto de “coletânea de contos”, vamos por assim dizer. Sinhá vitória, mulher de Fabiano é o  cérebro da família; embora acate as ordens doidivanas do marido. Esposa humilde apenas sonho em determinado momento da obra em possuir uma cama, semelhante ao personagem Seu Tomás da Bolandeira (considerado culto pelos demais personagem, pois vota e é alfabetizado). Os dois filhos do casal de retirantes, não são chamados nominalmente, prevalecendo na obra  tão somente as referências de menino mais velho e menino mais novo. O soldado amarelo, na obra, representa o antagonista de Fabiano, bem como o poder de repressão institucionalizado. O espaço da obra é o sertão, achacado pela falta de chuvas e da inércia política do governo. O tempo da obra é psicológico; assim afastado do tempo cronológico, as angústias das personagens são ainda mais intensificadas. (Texto adaptado da Revista: Guia do Estudante – Literatura e vestibular – Ed. Abril – Edição 2)

Imagem de Fräulen

Imagem de Fräulein

 

Amar, Verbo Intransitivo – (Modernismo brasileiro: Primeira Geração)

 

Mário de Andrade preferia chamá-lo “Idílio”. Narra a história de uma governanta alemã, Fräulein, contratada  pelo Senhor Felisberto Sousa Costa, um burguês bem posto na vida, para dar iniciação sexual ao primogênito da família, o jovem Carlos. Dessa maneira, o pai visava resguardar o menino das explorações e das doenças das mulheres da vida. A trama, na verdade, serve como contraponto para o autor desenvolver processos psicanalíticos freudianos aplicados à literatura. Através do desmascaramento das relações familiares, típicas da hipocrisia burguesa. Mário de Andrade vai construindo situações que ilustram os recalques, as sublimações, as regressões, as fixações e os demais desvios provocados pela maior ou menor proximidade da libido.  (Extraído e adaptado da apostila Literatura II, da Coleção Objetivo, Sistema e Métodos de aprendizagem – Professor Fernando Teixeira de Andrade – p. 49)

 

Bia, Papi e Isa (2014)

Bia, Papi e Isa (2014)

 

O crime do Padre Amaro (Realismo-Naturalismo português)

José Maria Eça de Queirós

 

                Amaro Vieira, protagonista, possuía um aspecto físico que o destinava à vida eclesiástica e era psicologicamente resignado com seu destino. Filho da criada predileta da marquesa de Alegros (adotado por ela, após a morte dos pais), é educado por padres. Com a morte da marquesa, torna-se sacerdote por comodismo, embora não pretendesse seguir a vida eclesiástica. É nomeado então para uma paróquia pobre e depois para Leiria. Lá, encontra Amélia, a filha da Senhora Joaneira (concubina do cônego Dias). Educada por padres amorais e velhas carolas e possuindo uma sensibilidade malcontrolada, Amélia mostra-se muito semelhante à natureza de Amaro.

O narrador, através de uma retrospectiva, conta que Amaro ingressou no seminário aos 15 anos, por obediência a sua tia que lhe criara com os preceitos cristãos. Porém, não era esse o seu desejo. Desejava mesmo era estar com uma mulher, chegando até associar a imagem de Nossa Senhora a uma, sentindo desejo por ela. Sendo assim, não por vocação e mais por comodismo, Amaro tornara-se padre. Em Leiria, rezava missas por costume, mas seu pensamento e sua ocupação era Amélia.

O primeiro contato físico entre o casal aconteceu numa fazenda da família; Amaro beijou o pescoço de Amélia, e ela saiu correndo. Amaro, com receio de se envolver mais intimamente e todos descobrirem, resolveu se mudar para outra casa.

Fica muito transparente a antipatia do narrador pelo círculo de amigos da Senhora Joaneira (Maria Assunção, Josefa Dias, Joaquina Gansoso e o beato homossexual Libaninho). O mesmo ocorre em relação aos colegas de Amaro (cônego Dias, padre Natário e padre Brito), pois o narrador parece convencido antecipadamente de seus vícios e grosserias. O único religioso que se exclui desse círculo é o abade Ferrão, apresentado como uma personagem coerente com seus ideais. A ironia do narrador não é restrita aos religiosos, estendendo-se para o contexto social de Leiria.

Várias personagens são apresentadas de forma sarcástica: o jornalista Agostinho Pinheiro: o venal (corrupto, corrutível, desonesto, mercenário, subornável) Gouveia Ledesma; o burguês reacionário Carlos. Nesse ambiente, João Eduardo, noivo de Amélia, enciumado com as atenções da moça ao padre Amaro, escreveu um anônimo “comunicado” (Os modernos fariseus: no qual revela que o padre Amaro mantinha um relacionamento amoroso com uma donzela inexperiente) na Voz do Distrito, criticando a convivência de padres com amantes. Rompe-se o noivado: Amélia torna-se amante do padre Amaro.

Os amantes encontram-se na casa do sineiro, a pretexto da recuperação de uma paralítica (Totó), que acaba revelando a natureza dos encontros ao cônego Dias. Nada se modifica e Amélia engravida, sendo obrigada a mudar-se para a Ricoça.

Aconselhado pelo cônego, Amaro pensa nas opções que teria, sendo que a primeira saída seria casá-la com João Eduardo. Este, porém, tinha vindo para o Brasil. A alternativa é então mandar Amélia junto a D. Josefa, que estava doente, ao interior até chegar a hora do parto. Quando a hora chegou, Amaro entregou a criança a uma família que tinha a fama de matar as crianças que lhe fossem entregues. E a criança realmente morre. Amélia não suporta ficar longe do filho, acaba também por morrer. Padre Amaro, sem saber o que fazer e tentando fugir dos acontecimentos, muda-se da cidade. Depois de algum tempo, encontra-se casualmente com o cônego Dias e afirma que “tudo passa”.

(Adaptado da Apostila – Coleção Objetivo – Sistemas de Métodos de Aprendizagem – Língua Portuguesa: Fernando Teixeira de Andrade – pp. 184-185)

O crime do padre Amaro - clássico da Língua Portuguesa

O crime do padre Amaro – clássico da Língua Portuguesa

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